Perfil de competências de fisioterapeutas atuantes em unidades de terapia intensiva

Andressa Caroline Lepka Ceregato, Elaine Rossi Ribeiro, Juliano Mendes de Souza, Esperidião Elias Aquim

Resumo


O Fisioterapeuta foi incorporado às equipes básicas de unidades de terapia intensiva (UTIs) em 1998. Embora as atividades desses profissionais nestas unidades já estejam regulamentadas, e comprovada eficiência terapêutica, sua identidade e reconhecimento parecem não estruturados até o presente momento, assim sugerindo sua construção em curso, por meio de identificação das atribuições e competências. O objetivo deste estudo é identificar o perfil de competências dos fisioterapeutas atuantes em UTIs, e relacioná-lo com as competências apontadas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de Fisioterapia. O estudo realizado é do tipo survey, com abordagem quantitativa que utilizou um questionário estruturado, elaborado a partir da análise das DCN do curso de fisioterapia, que foi enviado a 75 fisioterapeutas atuantes em UTIs de 16 hospitais paranaenses, com retorno de 66,6%. Como resultado, aponta-se para um profissional que afirma ter competências essenciais, que age e reage com pertinência perante suas atividades com acerto profissional, de modo valoroso e ético, além de assegurar sua autonomia e segurança. Porém, estes profissionais sugerem não adquirir estas qualidades na formação básica, durante sua graduação. Indicam ainda, que habilidades apontadas pelas DCNs, apesar de se apresentarem reais e vivas para os mesmos, podem não estar sendo contempladas nos cursos de graduação, pois não aparentam ser obtidas durante a graduação, mas, após o início da sua atividade laboral. Concluindo, as respostas dos fisioterapeutas evidenciam a necessidade do contínuo desenvolvimento de competências, a importância da participação do fisioterapeuta na UTI, e a possibilidade de atuação respaldada pela formação profissional de excelência.


Palavras-chave


Competências; Fisioterapia; Unidades de Terapia Intensiva; Diretrizes Curriculares.

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DOI: https://doi.org/10.12957/sustinere.2021.47080

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