Pacientes com traqueostomia: conhecimentos, atitudes e práticas das equipes do serviço de atenção domiciliar

Mônica Cristina da Silva Castro, Luiz Antônio da Silva Teixeira

Resumo


O Programa Melhor em Casa é constituído pelas equipes do Serviço de Atenção Domiciliar inseridas em área territorial adscrita. Tem por objetivo melhorar e ampliar a assistência no SUS a pacientes com agravos de saúde, que possam receber atendimento humanizado, em casa, perto da família. Assim, a pesquisa teve por objetivo, identificar os conhecimentos, atitudes e práticas das equipes que compõe o serviço de atenção domiciliar, em relação ao processo de atenção à saúde dos pacientes com traqueostomia, internados no domicílio, no município de Macapá. Trata-se de um estudo descritivo, com abordagem qualitativa, realizado com dezessete profissionais que atuam no Serviço de Atenção Domiciliar. Os dados foram coletados por meio de entrevista semi-estruturada com uso de um roteiro e analisados através da técnica de análise de conteúdo proposta por Bardin. Utilizou-se também a análise de documentos oficiais e observação sistemática que possibilitou descrever os aspectos relacionados à dinâmica do serviço e das equipes. O estudo revelou que a estrutura disponível para a realização da atenção domiciliar é um ponto crítico e desfavorável comparado ao arcabouço teórico que o programa preconiza. Foi possível considerar o Melhor em Casa como um programa tronco, conectado com os demais programas assistenciais existentes dentro da oferta de serviços da atenção primária de saúde. Concluiu-se que o modelo de assistência que se propõe o programa coloca-se a favor de uma de assistência integral ao indivíduo, sendo de extrema importância a disponibilização de condições mínimas necessárias para a execução das práticas que ultrapassem o modelo tradicional de assistência à saúde.

Palavras-chave


Assistência domiciliar; Traqueostomia; Processo de trabalho; Atenção primária à saúde

Texto completo:

PDF

Referências


AGUIAR, José Manuel Monteiro. O Programa Saúde da Família no Brasil: a resolutividade do PSF no Município de Volta Redonda (RJ). [tese de doutorado]. Rio de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz, 2001.

ALVES, R.F. org. Psicologia da saúde: teoria, intervenção e pesquisa [online]. Campina Grande: EDUEPB, 2011. 345 p.

AMAPÁ (estado). Secretaria de Estado da Saúde. Resolução n.º 015/12 – CIB/AP, dispõe sobre a aprovação do projeto de implantação do Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) no município de Macapá. Macapá (AP), 2012. Acesso em 15 abr. 2016. Disponível em https://saude.portal.ap.gov.br/conteudo/institucional/comissao-intergestores-bipartite

ASSIS, Marluce Maria Araújo (Org.). Produção do cuidado no Programa Saúde da Família: olhares analisadores em diferentes cenários. Salvador: EDUFBA, 2010.

BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Lisboa. Edições 70. 2009.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Caderno de atenção domiciliar / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2012. 2 v.: il.

BRASIL. Lei 10.424, de 15 de abril de 2002. Acrescenta capítulo à Lei 8080, de 19 de setembro de 1990, que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção, recuperação da saúde, a organização e funcionamento de serviços correspondentes e dá outras providências, regulamentando a assistência domiciliar no Sistema Único de Saúde. Brasília (DF): Diário Oficial da República Federativa do Brasil; 16 abr

P.1

BRASIL. Portaria Nº 2.029, de 24 de agosto de 2011 (Revogada pela PRT GM/MS nº 2.527 de 27.10.2011) Institui a Atenção Domiciliar no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt2029_24_08_2011.html. Acesso em 25 mai. 2016

____________. Ministério da Saúde. Portaria Nº 963 de 27 de maio de 2013 - Redefine a Atenção Domiciliar no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial da União. Brasília, DF. 2013.

____________. Ministério da Saúde. Portaria Nº 1.208 de 18 de junho de 2013 – dispõe sobre a integração do Programa Melhor em Casa (atenção domiciliar no âmbito do SUS) com o Programa SOS Emergências, ambos inseridos na rede de atenção às urgências. Diário Oficial da União. Brasília, DF. 2013. Disponível em . Acesso em 04 abr. 2015

____________. Ministério da Saúde. Portaria nº 825, de 25 de abril de 2016.

Redefine a Atenção Domiciliar no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e atualiza as equipes habilitadas. Diário Oficial da União. Brasília, DF. 2016. Disponível em . Acesso em 30 abr. 2016

____________. Conselho Nacional de Saúde. Resolução 466 de 12 de dezembro de 2012. Dispõe sobre as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. Brasília, DF. 2012

____________. Ministério da Saúde. Departamento de Atenção Básica. Teto, Credenciamento e Implantação das estratégias de Agentes Comunitários de Saúde, Saúde da Família e Saúde Bucal. 2015. Disponível em: . Acesso em 01 jun. 2015

COSTA, A.M. Integralidade na Atenção e no Cuidado à Saúde. In: Saúde e Sociedade. Vol. 13, nº 3, set-dez. 2004

DAMÁZIO, Luciana; GONÇALVES, Carlos Alberto. Desafios da gestão estratégica em serviços de saúde. Rio de Janeiro, 2012.

DIAS, Camila Ferreira. O Sistema de Referência e Contrarreferência na Estratégia Saúde da Família no Município de Bauru: Perspectivas dos Gestores. Botucatu, 2010 Dissertação (mestrado) – Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista, 2010. Disponível em: http://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/96410/dias_cf_me_botfm.pdf?sequence=1. Acesso em 08 mai/2016.

ECHER, Isabel Cristina; FENGLER, Fernanda; FINARD, Simone; GLAESER, Sheila; GUNTZEL, Adriana Meira; MARTINS, Frederico Krieger; NUNES, Diego Silva Leite; SEVERO, Isis Marques. Manual de Orientações sobre Traqueostomia. s.n [sine nomine]. Porto Alegre. 2013. V.19. Disponível em: . Acesso em 15 nov/2014.

FONSECA, Ariadne da Silva; PETERLINE, Fábio Luís; CARDOSO, Maria Lúcia Alves Pereira; LOPES, Luciene Lourenço Abbate; DIEGUES, Sylvia Regina Suelotto. Enfermagem de emergência. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.

GIL, A.C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6 ed. São Paulo, Altas, 2008.

GIOVANELLA, Lígia; ESCOREL, Sarah; LOBATO, Lenaura de Vasconcelos Costa; NORONHA, José Carvalho de; CARVALHO, Antônio Ivo de; Políticas e sistemas de saúde no Brasil. 2 ed. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2012.

Gomes ELR, Anselmi ML, Mishima SM, Villa TCS, Pinto IC, Almeida MCP. Dimensão histórica da gênese e incorporação do saber administrativo na enfermagem. In: Almeida MCP, Rocha SMN, organizadoras. O trabalho de enfermagem. São Paulo (SP): Cortez; 1997. p. 229-50.

JORGE, Eliza Sophia Delbon Atiê. JORGE, Márcia Delbon. Assistência domiciliária. In: RAMOS, Dalton Luiz de Paula. Bioética Pessoa e Vida. São Caetano do Sul, SP: Difusão, 2009.

LACERDA, Maria Ribeiro. GIACOMOZZI, Clélia Mozara. OLINISKI, Samantha Reikdal. TRUPPEL, Thiago Christel. Atenção à Saúde no Domicílio: modalidades que fundamentam sua prática. Revista Saúde e Sociedade v.15, n.2, p.88-95, maio-ago 2006.

MACAPÁ. Secretaria Municipal de Saúde. Plano Municipal de Saúde 2014 – 2017. Macapá: PMM, 2014.

MALAGUTTI, William (Org.). Assistência domiciliar: atividades da assistência em enfermagem. Rio de Janeiro: Rubio, 2012.

MARX, Karl. Os Economistas, O Capital, Crítica da Economia Política. Vol. I. Livro Primeiro. O Processo de Produção do Capital. (Prefácios e Capítulos I a XII). Editora Nova Cultural Ltda. 1996, Círculo do Livro Ltda.

MARQUES, G.Q, LIMA MADS. As tecnologias leves como orientadoras dos processos de trabalho em serviços de saúde. Rev Gaúcha Enferm [Internet]. 2004 Abr [cited 2013 Apr 25]; 25(1):17-25. Available from: http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/23537/000439821.pdf?sequence=1

MARTINS, Helena. OLIVEIRA, Isabel Salvado de. SILVEIRA, Teresa. A criança com traqueostomia e a sua família face à alta clínica. Artigo de revisão de literatura. Revista de Ciências da Saúde da Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa, Vol. 3, Março 2011. Disponível em . Acesso em 09 Mai/2015.

MATTA, Gustavo Corrêa; LIMA, Júlio César França. Estado, sociedade e formação profissional em saúde: contradições e desafios em 20 anos de SUS. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2008.

MATHEUS, Mariana Queiroz; LEITE, Silvana Maria Coelho; DÁZIO, Eliza Maria Rezende. Compartilhando o Cuidado da Pessoa Ostomizada. In: Congresso Brasileiro de Extensão Universitária 2.2004. Belo Horizonte. Anais eletrônicos. Belo Horizonte: UFMG. Disponível em . Acesso em 15 out/2014.

MATOS, Eliane; PIRES, Denise Elvira Pires de; CAMPOS, Gastão Wagner de Sousa. Relações de trabalho em equipes interdisciplinares: contribuições para a constituição de novas formas de organização do trabalho em saúde. In Rev. Bras. de Enfermagem. Nov-dez, 2009, 62. Brasília: 2009.

McEWEN, Melanie; WILLS, Evelyn M. Bases teóricas de Enfermagem. 4 ed. Porto Alegre: Artmed, 2009.

MENDES, Eugênio Vilaça. As Redes de Atenção à Saúde. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2011.

MENDES, Eugênio Vilaça. A Construção Social da Atenção Primária à Saúde. Brasília: Conselho Nacional de Secretários de Saúde – CONASS, 2015. 193 p.: il.

MENDES-GONÇALVES, R. B. Tecnologia e Organização Social das Práticas de Saúde: Características Tecnológicas do Processo de Trabalho na Rede Estadual de Centros de Saúde de São Paulo. São Paulo: Editora Hucitec/ABRASCO, 1994.

MERHY, E. Saúde: a cartografia do trabalho vivo. 3 ed. São Paulo: Hucitec, 2002.

MERHY E.E, FEUERWERKER, L.C.M. Novo olhar sobre as tecnologias de saúde: uma necessidade contemporânea. [online]. [cited 2013 July 31]. Available from: http://www.uff.br/saudecoletiva/professores/merhy/capitulos-25.pdf

MOYSÉS FILHO, Jamil (Org.). Planejamento e gestão estratégia em organizações de saúde. Rio de Janeiro: FGV, 2010.

MOSSER, Gordon; BEGUN, James W. Comprendendo o trabalho em equipe na saúde. Porto Alegre: Artmed, 2015.

OLIVEIRA, Silvério da Costa. Criatividade, inovação e controle nas organizações de trabalho. 2 ed. Rio de Janeiro: [s.n.]. 2014.

RICZ, H.M.A.; et al. Traqueostomia. Medicina, Ribeirão Preto, v.44, n.1, p. 63-69, 2011. Disponível em: Acesso em: 27 dez/2014

SANNA, Maria Cristina. Os processos de trabalho em enfermagem. Rev. Bras. Enf. v. 62, n. 2, p. 221-224, mar/abr. 2007.

SANTOS, Flavia Pedro dos Anjos. Processo de Trabalho das Equipes de Saúde da Família na Produção do Cuidado aos Usuários com Hipertensão Arterial. 2010. 169 f. Dissertação (Mestrado em Enfermagem e Saúde) – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Jequié – BA. Disponível em: . Acesso em 04.06.15

SARRETA, Fernanda de Oliveira. Educação permanente em saúde para os trabalhadores do SUS. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2009.

SCOTTINI, Alfredo. Minidicionário escolar da língua portuguesa. Blumenau, SC: Todolivro Editora, 2009.

SILVA, Silvio Fernandes da (Org.). Redes de Atenção à Saúde no SUS: o pacto pela saúde e redes regionalizadas de ações e serviços de saúde. Campinas: IDISA, 2008. Revista Ciência e Saúde Coletiva, 16 (6):2753-2762

SMELTZER, S.C; BARE, B.G. Brunner&Suddarth.Tratado de Enfermagem Médico-cirúrgica. 10 ed. Rio de Janeiro (RJ): Guanabara Koogan, 2005.




DOI: https://doi.org/10.12957/sustinere.2019.42319

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


   Resultado de imagem para blogger icon   

 

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

 

ISSN 2359-0424

A Revista SUSTINERE está indexada/cadastrada em:

 


A partir da 7ª edição da Revista SUSTINERE (V.4, Nº2, 2016), todos os trabalhos das colunas Artigos, Comportamento e Ambiente, e Ensaios, são submetidos a um exame de confiabilidade através dos serviços do iThenticate, cujos relatórios são analisados pelos editores, para a aprovação da publicação destes.