Perfil epidemiológico dos acidentes por animais peçonhentos notificados no Estado de Minas Gerais durante o período de 2010-2015

Patrick Leonardo Nogueira da Silva, Amanda de Andrade Costa, Renata Fiúza Damasceno, Ana Izabel de Oliveira Neta, Isabelle Ramalho Ferreira, Adélia Dayane Guimarães Fonseca

Resumo


Os acidentes por animais peçonhentos constituem grave problema de saúde pública, sendo por isso, considerados agravos tropicais negligenciados que acometem, na maior parte dos casos, populações de classe baixa residentes em áreas rurais. Os principais responsáveis por estes acidentes são aracnídeos e ofídios. O presente manuscrito objetiva identificar o perfil epidemiológico dos acidentes causados por animais peçonhentos notificados no Estado de Minas Gerais. Trata-se de estudo descritivo, exploratório, transversal com abordagem quantitativa, realizado no banco de dados de acesso público do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde. A amostra foi composta por 146.508 acidentes registrados durante o período de 2010-2015. Houve prevalência no ano de 2014, durante o mês de janeiro. Observou-se predominância do sexo masculino, entre 20-39 anos, sem registro de escolaridade, pardos e não aplicabilidade da condição gestacional. O acidente escorpiônico apresentou maior número de notificação. Em 48,8% das vítimas, o tempo entre a picada e o atendimento foi inferior à uma hora. Quanto à classificação final e sua evolução, predominaram-se os acidentes leves e a cura, respectivamente. Portanto, os adultos jovens do sexo masculino apresentam maior vulnerabilidade aos acidentes, menor predisposição ao desenvolvimento sintomático e maior probabilidade de cura quando atendidos em tempo hábil. O escorpião apresenta-se como o principal vetor destes acidentes, bem como o principal causador de óbitos.


Palavras-chave


Animais venenosos; Picadas de escorpião; Mordeduras de serpentes; Sistemas de informação em saúde

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DOI: https://doi.org/10.12957/sustinere.2017.29816

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