“EU NÃO GOSTO DO MEU CORPO PORQUE SOU NEGRO E NÃO TENHO PAIS”: RESSIGNIFICANDO AS VISÕES SOBRE O CORPO NA ESCOLA A PARTIR DE UMA ABORDAGEM CENTRADA NA EQUIDADE RACIAL

Luiz Gustavo Bonatto Rufino

Resumo


As práticas discursivas engendram estruturas de poder muitas vezes alicerçadas em condutas preconceituosas. A escola, de um lado, coaduna-se com a perspectiva da domesticação dos corpos por meio de práticas racistas e, por outro, possibilita o desenvolvimento de rupturas paradigmáticas. Dessa forma, objetivou-se analisar o processo de intervenção pedagógica relacionado à transformação das visões sobre o corpo a partir de uma abordagem centrada na equidade racial. Por meio de uma pesquisa-ação desenvolvemos propostas de intervenção pedagógica e registros do processo durante as aulas de Educação Física. Os resultados foram divididos em três categorias: “Identidade marcada”, abordando o mapeamento do projeto; “Identidade em transformação”, descrevendo as propostas de intervenção; e, “Identidade reconstruída”, apresentando os resultados e avaliações do processo. Conclui-se que as intervenções foram potencializadoras de problematização e ressignificação de visões preconceituosas, apontando para a necessidade de fundamentar a educação na perspectiva da equidade racial.


Palavras-chave


Corpo; Equidade Racial; Prática Pedagógica; Educação Física; Transformação Social.

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DOI: https://doi.org/10.12957/riae.2021.54943

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e-ISSN: 2359-6856

 


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