MÁQUINA DE GUERRA E INFÂNCIA “ENTRE”: NOTAS SOBRE A DESTERRITORIALIZAÇÃO DA INFÂNCIA CONTEMPORÂNEA

Helena Almeida e Silva Sampaio

Resumo


Este artigo parte de uma perspectiva sobre infância e criança pautada em Deleuze e Guattari e utiliza o conceito de “máquina de guerra” como uma forma de pensar a criação de novos espaços-tempos para suscitar acontecimentos e desterritorializar a infância contemporânea. Busca-se aqui, então, traçar uma linha “entre” os pontos fixos, numa tentativa de irromper a realidade e abrir espaço nas afirmações, prescrições e avaliações que “desabam” sobre as crianças, não apenas incluídas no ideal hegemônico de infância, mas governadas por dispositivos de subjetivação de um “Homo oeconomicus”. Para inventar outros mundos educativos possíveis, num contexto contemporâneo e neoliberal, requer-se a possibilidade de se pensar uma infância “entre”, de modo a tirar a criança da dicotomia incluída/excluída da infância. 


Palavras-chave


Acontecimentos. Educação. Infância. Máquina de guerra.

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DOI: https://doi.org/10.12957/riae.2021.54910

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e-ISSN: 2359-6856

 


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