A EDUCAÇÃO NA ORIENTAÇÃO DOS PAIS DE BEBÊS E CRIANÇAS SURDAS

Erica Aparecida Garrutti-Lourenço, Sandra Regina Leite de Campos, Jéssica de Oliveira Holanda

Resumo


Este estudo apresenta um relato sobre o percurso de uma família, cujo filho é surdo e recém-implantado. Com dois anos de idade, a criança foi matriculada em uma instituição de Educação Infantil da rede particular e teve o suporte de uma acompanhante terapêutica (AT), além de suas professoras. Como fonte de dados, foram utilizados os registros do diário de campo da AT, que reúnem observações e estratégias feitas na escola, conversas dos interlocutores da criança e uma entrevista com a mãe. Os relatos foram analisados na perspectiva dos estudos de Vygotsky, ressaltando o papel do mediador no desenvolvimento do sujeito, e considerando o seu entorno interacional, fundamental na construção de saberes. Este estudo revela como a família avançou, de um início marcado pela negação da condição do filho na escola, para a busca de alternativas que normatizassem, restabelecessem a fala da criança e que, finalmente, fizessem os pais o reconhecerem como surdo.

 


Palavras-chave


Implante coclear; Surdez; Libras; Criança surda; Educação bilíngue

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DOI: https://doi.org/10.12957/riae.2020.45937

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e-ISSN: 2359-6856

 


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