Entre diálogos: estado, política e religião no legislativo acreano

Talita Pereira de Almeida, Wlisses James de Farias Silva, Rafael Marques Gonçalves

Resumo


O propósito deste artigo está em verificar se, no processo de modernização que originou o modelo de sociedade secularizada de hoje, houve de maneira efetiva uma separação entre política e religião. Nesse sentido objetivou um estudo sobre a Bancada Evangélica na Assembleia Legislativa do Estado do Acre, composta por políticos evangélicos distintos que se articulam de forma contrária a questões como a legalização do aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a legalização das drogas por exemplo. Esses atores políticos defendem a religião cristã e a moral religiosa dentro das decisões e questões do Estado por considerarem que ela é fundamental na promoção e colaboração do desenvolvimento social. Inicialmente apresentamos um estudo sobre o conceito de Estado laico e liberdade religiosa no Brasil, sendo abordados como princípios fundamentais de um Estado democrático de Direito. Em seguida, discorremos sobre o cenário político dentro da Assembleia Legislativa do Estado do Acre, analisando que influências religiosas estão presentes ali. Concluímos o artigo percebendo que as novas religiões que crescem no cenário brasileiro, têm em comum a característica de participar ativamente da vida política, lançando candidaturas aos cargos públicos. O que foi observado ao encontrarmos a presença de uma frente parlamentar evangélica sendo representada dentro da Assembleia Legislativa do Estado do Acre, tal situação aponta que atualmente a união entre o Estado e a Igreja exclui o pluralismo, a diversidade, negando assim, a possibilidade de haver igualdade e liberdade no âmbito público. Declarando assim, o enfraquecimento do Estado laico e dos princípios constitucionais que esse garante, retrocedendo todo o processo de secularização já alcançado.

Palavras-chave


Religião; Política; Laicidade.

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DOI: https://doi.org/10.12957/riae.2019.44850

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e-ISSN: 2359-6856

 


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