INTERCULTURALIDADE CRÍTICA: APRENDER A DECOLONIZAR A EDUCAÇÃO COM SABERES DE MULHERES RIBEIRINHAS DA AMAZÔNIA

Isabell Thereza Tavares Neri, Ivanilde Apoluceno de Oliveira

Resumo


Neste artigo analisa-se os saberes de mulheres em tratamento hospitalar, vítimas de escalpelamento nos rios da Amazônia ou acompanhantes, e que frequentam, em um espaço de acolhimento, uma classe hospitalar. Este estudo consiste em um recorte de uma pesquisa, concluída em 2018, financiada pela FAPESPA, realizada em um ambiente hospitalar, em que se desenvolve uma educação intercultural crítica freireana, que fomenta o empoderamento das mulheres ribeirinhas por meio do reconhecimento de suas vozes, saberes, práticas e manifestações culturais. É uma pesquisa de campo qualitativa com os seguintes procedimentos metodológicos: levantamento bibliográfico e documental, entrevistas com 15 mulheres de faixas etárias variadas, oriundas de diferentes comunidades ribeirinhas da Amazônia Paraense e observação participante. Entre os resultados destaca-se que a aprendizagem se dá por meio de narrativas das mulheres sobre o “enfrentamento da violência de gênero”, o “trabalho”, a “medicina popular” e o “imaginário”, que fazem parte do contexto de diversidade biossocial e cultural das comunidades ribeirinhas da Amazônia.


Palavras-chave


Interculturalidade crítica; Decolonizar a educação; Mulheres ribeirinhas.

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DOI: https://doi.org/10.12957/riae.2018.40847

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e-ISSN: 2359-6856

 


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