DEUS E O DIABO NA PRATELEIRA DO MERCADO: REFLEXÕES E NARRATIVAS DE UM RACISMO RELIGIOSO VIGENTE

Marcos Eduardo Leandro, Lúcio Bernard Sanfilippo

Resumo


No primeiro semestre do ano de 2017, testemunhamos uma crescente onda de violência se abatendo sobre terreiros de candomblé por todo o Brasil, mais ainda em Nova Iguaçu, cidade da Baixada Fluminense, na periferia do Rio de Janeiro. Os autodenominados traficantes de Cristo, cientes da impunidade, invadiram, depredaram terreiros e agrediram sacerdotes e sacerdotisas em suas comunidades tradicionais de matrizes africanas. Analisando fatores históricos – pois que esses fatos sempre estiveram presentes nos cotidianos dos cultos afro-brasileiros, a trajetória do racismo religioso e o crescimento das igrejas neopentecostais em todo país, refletimos sobre essa violência e suas implicações nos contextos políticos e culturais da atual conjuntura. De acordo com as narrativas que levam à demonização das religiões de matriz africana, onde se prega que "a Umbanda, Quimbanda, Candomblé e o espiritismo de um modo geral, são os principais canais de atuação dos demônios, principalmente em nossa pátria" (Macedo, 1987, p. 113), presenciamos um projeto de poder político-institucional que viola direitos humanos e constitucionais, além de estarem alinhados a setores conservadores e obscurantistas da sociedade.


Palavras-chave


Racismo religioso. Ensino religioso. Crianças de terreiro. Religião de matriz africana. Candomblé.

Texto completo:

PDF


DOI: https://doi.org/10.12957/periferia.2018.31449

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil  

Revista Periferia, uma publicação eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas – PPGECC/UERJ - ISSN: 1984-9540