Avaliação do risco cardiovascular em pacientes renais crônicos em fase não dialítica por indicadores antropométricos

Adriana dos Santos Dutra, Gisselma Aliny Santos Muniz, Antonia Caroline Diniz Brito, Andréa Martins Melo Fontenele, Sueli Ismael Oliveira da Conceição

Resumo


Introdução: Estudos que adotaram os indicadores antropométricos de risco cardiovascular na avaliação de pacientes com doença renal crônica (DRC) em fase não dialítica são escassos. Objetivo: Avaliar o risco cardiovascular por indicadores antropométricos em pacientes com DRC em fase não dialítica e fatores associados. Métodos: Estudo transversal com 106 pacientes atendidos em hospital universitário, em São Luís-MA. Aplicou-se formulário estruturado com informações sociodemográficas, estilo de vida, morbidades e estadiamento da doença renal. Para avaliação antropométrica e identificação do risco cardiovascular, adotaram-se os indicadores: índice de massa corporal, circunferência da cintura, circunferência do pescoço, diâmetro abdominal sagital, relação cintura-estatura e índice de conicidade. Os testes do Qui-quadrado de Person e Exato de Fischer avaliaram a associação entre as variáveis e adotou-se o nível de significância p<0,05. Resultados: Pela circunferência da cintura, houve risco cardiovascular muito elevado nas mulheres (75,4%), e pelo índice de conicidade, todas estavam em risco (p<0,001). Nos pacientes com ≥60 anos de idade, houve risco cardiovascular pelos indicadores diâmetro abdominal sagital (77,5%), razão cintura-estatura (92,6%) e índice de conicidade (98,2%) (p<0,005). A circunferência do pescoço apontou risco elevado nos fumantes (100,0%) e etilistas (88,9%) (p=0,001). Pela circunferência do pescoço (73,5%) e razão cintura-estatura (91,7%), os renais crônicos diabéticos apresentaram risco cardiovascular elevado (p<0,05). Conclusão: O risco cardiovascular evidenciado por diferentes indicadores antropométricos aponta que ações de promoção da saúde devem ser implementadas, de modo a melhorar o estilo de vida e contribuir para o melhor prognóstico desses pacientes.


Palavras-chave


Antropometria. Doenças Cardiovasculares. Insuficiência Renal Crônica.

Texto completo:

PDF PDF (English)

Referências


REFERÊNCIAS

Kidney Diseases Improving Global Outcomes. Clinical practice guideline for the evaluation and management of Chronic Kidney Disease."Chapter 1: Definition and classification of CKD". Kidney Int. 2012; 3(1): 19-62.

Levin A, Tonelli M, Bonventre J, Coresh J, Donner J, Fogo AB. Global kidney health 2017 and beyond: a roadmap for closing gaps in care, research, and policy. Lancet. 2017; 390(10105): 1888-17.

Brasil. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Diretoria de Pesquisa. Coordenação de Trabalho e Rendimento. Pesquisa Nacional de Saúde 2013: percepção do estado de saúde, estilos de vida e doenças crônicas: Brasil, grandes regiões e unidades da federação. Rio de Janeiro: IBGE; 2014 [Internet] (Citado em 2 de fevereiro de 2018). Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/9160-pesquisa-nacional-de-saude.html?edicao=9161&t=downloads

Said S, Hernandez GT. The link between chronic kidney disease and cardiovascular disease. J Nephropathol. 2014; 3 (1): 99-104.

World Health Organization. Global action plan for the prevention and control of noncommunicable diseases 2013-2020. WHO: Geneva; 2013 [Internet] (Citado em 2 de fevereiro de 2018). Disponível em: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/94384/9789241506236eng.pdf;jsessionid=2E946049E8C96C9BDE14365293F46F63?sequence=1

Hauschild DB, Schieferdecke ME, Leite CM, Nascimento MM. Composição corporal de pacientes com doença renal crônica em tratamento conservador. Rev. Med. UFPR. 2014; 1(2):47-53.

Freiberg CK, Rossi L, Ceramico DCO. Antropometria e composição corporal. In: Rossi L, Caruso L, Galante, AP. Avaliação nutricional: novas perpectivas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2015 p.171-174. ISBN: 978-85-277-2771-6

Pitanga FJG, Lessa I. Razão cintura-estatura como discriminador do risco coronariano de adultos. Rev Assoc Med Bras. 2006; 52(3): 157-61.

Sampaio LR, Simões EJ, Assis AMO, Ramos LR . Validity ang reliability of sagittal abdominal diameter as a predictor of visceral abdominal fat. Arq Bras Endocrinol Metab. 2007; 51(6): 980-86.

Pitanga FJG, Lessa I. Sensibilidade e especificidade do índice de conicidade como discriminador do risco coronariano de adultos em Salvador, Brasil. Rev Bras Epidemiol. 2004; 7(3): 259-69.

Ben-Noun L, Sohar E, Laor A. A neck circumference as simple screening measure for identifying overweight and obese patients. Obesity Resarch. 2001; 9(8): 470-77.

Levey AS, Stevens LA, Schmid CH, et al. for the CKD-EPI (Chronic Kidney Disease Epidemiology Collaboration). A New Equation to Estimate Glomerular Filtration Rate. Ann Intern Med. 2009; 150 (5):604-612.

World Health Organization. Obesity: preventing and managing the global epidemic: report of a WHO Consultation on Obesity, Geneva, 3-5 June 1997. WHO: Geneva; 1998 [Internet]. (Acesso em 2 de fevereiro de 2018). Disponível em: http:// apps.who.int/iris/handle/10665/63854

National Cholesterol Education Program. Third report of the National Cholesterol Education Program (NCEP) Expert Panel on Detection, Evaluation, and Treatment of High Blood Cholesterol in Adults (Adult Treatment Panel III): Final Report. Circulation. 2002; 106(25): 3143-278

Valdez R. A simple model based index of abdominal adiposity. J Clin Epidemiol.1991; 44 (9): 955-6

Brasil. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saúde 2013: ciclos da vida: Brasil e grandes regiões. Rio de Janeiro: IBGE; 2015 [Internet] (Citado em 7 de agosto de 2020). Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=294525

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis. Vigitel Brasil 2019: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico: estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal em 2019. Brasília: Ministério da Saúde; 2020 [Internet] (Citado em 7 de agosto de 2020). Disponível em: https://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2020/April/27/vigitel-brasil-2019-vigilancia-fatores-risco.pdf

Malta DC, Santos MAS, Andrade SSCA, Oliveira TP, Stopa SR, Oliveira MM, Jaime P. Tendência temporal dos indicadores de excesso de peso em adultos nas capitais brasileiras, 2006-2013. Cien Saúde Colet. 2016; 21(4): 1061-69.

Pereira IFS, Spyrides MHC, Andrade LMB. Estado nutricional de idosos no Brasil: uma abordagem multinível. Cad. Saúde Pública. 2016; 32(5): e00178814

Kamimura M A; Nerbass F B. Avaliação nutricional na doença renal crônica: o protagonismo da mensuração longitudinal. J Bras Nefrol. 2020; 42 (1): 4-5.

Silva DR. Obesidade: o verso e o reverso. J Bras Nefrol 2017; 39(3): 232-33

Kalantar-Zadeh K, Rhee CM, Chou J, et al. The obesity paradox in kidney disease: how to reconcile it with obesity management. Kidney Int Rep. 2017; (2):271–281.

Serra MM, Pereira LCO, Fontenele DF, Viveiros MTM, Lima RA. Condições clínicas e antropométricas de hipertensos atendidos em um centro de saúde de São Luís, MA. Rev Pesq Saúde. 2015; 16(2): 107-11.

Pinho CPS, Diniz ADS, Arruda IKG, Leite APDL, Petribú MMV, Rodrigues IG. Predictive models for estimating visceral fat: The contribution from anthropometric parameters. Plos One. 2017; 12(7): e0178958.

Monteiro CA, Cannon G, Lawrence M, Costa Louzada ML, Pereira Machado P. Ultra-processed Foods, Diet Quality, and Health Using the NOVA Classification System. Rome, Italy: FAO; 2019.

Roriz ANC, Passos LCS, Oliveira CC, Eickemberg M, Moreira PA, Sampaio LR. Evaluation of accuracy of anthropometric clinical indicators of visceral fat in adults and elderly. Plos One.2014; 9(12): e116449.

Kanh HS, Rissanen H, Bullard KM, Knekt P. The population distribuition of the saggittal abdominal diameter (SAD) and SAD/height ratio among Finnish adults. Clin Obes. 2014; 4(6): 333-38.

Strasser B, Volaklis K, Fuchs D, Burtscher M. Role of dietary protein and muscular fitness on longevity and aging . Aging Dis. 2018; 9 (1): 119-32.

World Health Organization. Who report on the global tobacco epidemic, 2019: offer help to quit tobacco use. WHO: Geneva; 2019 [Internet] (Citado em 15 de novembro de 2019). Disponível em: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/326043/9789241516204-eng.pdf

World Health Organization. Global status report on alcohol and health 2014. WHO: Geneva; 2014 (Acesso em 5 de fevereiro de 2018). Disponível em :https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/112736/9789240692763_eng.pdf;jsessionid=8DA16C17EFD5EDA3A56B99B47BA34D5D?sequence=1

Bezerra IN, Alencar SN. Associação entre excesso de peso e tamanho das porções de bebidas consumidas no Brasil. Rev. Saúde Pública. 2018; 52 (21): 1-11.

Sociedade Brasileira de Cardiologia. Sociedade Brasileira de Hipertensão. Sociedade Brasileira de Nefrologia. 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão. Rev. Bras. Hipertens. 2017; 24(1): 1-91

Amorim RG, Guedes GS, Vasconcelos SML, Santos JCF. Doença renal do diabetes: cross-linking entre hiperglicemia, desequilíbrio redox e inflamação. Arq Bras Cardiol. 2019, 112 (5): 577-587.

Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2019-2020. Clannad: São Paulo; 2019. [Internet] (Acesso em 10 de janeiro de 2020). Disponível em: https://www.diabetes.org.br/profissionais/images/DIRETRIZES-COMPLETA-2019-2020.pdf




DOI: https://doi.org/10.12957/demetra.2021.59857

e-ISSN: 2238-913X


Esta revista está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.