COMPOSIÇÃO CORPORAL EM MULHERES TRANSGÊNERO VIVENDO COM HIV/AIDS: UMA DISCUSSÃO DAS TRANSFORMAÇÕES QUE INTERFEREM NA AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL

Juliana Lauar Gonçalves, Cláudia Santos de Aguiar Cardoso, Adriana Costa Bacelo, Raquel Espírito Santo, Cristiane Fonseca de Almeida, Paula Simplício da Silva, Patrícia Dias de Brito

Resumo


A prática clínica no atendimento de mulheres transgênero vivendo com HIV/AIDS despertou o olhar sobre as consequências dos procedimentos para a adequação ao gênero autodeterminado no processo de avaliação da composição corporal. Mulheres transgênero são pessoas que, ao nascer, receberam a atribuição de homem, mas se autoidentificam e reivindicam o reconhecimento social e legal como mulheres. Em busca da feminilização, podem vir a fazer uso de géis de silicone, de terapia hormonal ou até mesmo de procedimentos nocivos, como injeção de óleo de silicone. Esses procedimentos resultam em alterações antropométricas e modificações dos compartimentos corporais, como o tecido adiposo subcutâneo, massa óssea e massa magra. Ocorrem também, em alguns casos, especificidades, como a redução do volume prostático e o desenvolvimento lobular e acinar das mamas. O panorama é dificultado ainda no contexto da infecção pelo HIV, cujo tratamento antirretroviral, em alguns casos, tem como reação adversa a lipodistrofia. A lipodistrofia é caracterizada por alterações na distribuição de gordura corporal (lipoatrofia e lipo-hipertrofia) e deve ser considerada na avaliação da composição corporal dessa população. Diante da grande vulnerabilidade de mulheres transgênero pela infecção com o HIV, a OMS recomenda que sejam adotadas medidas específicas de prevenção, tratamento e serviços de saúde para essa população. Portanto, no presente trabalho pretendemos iniciar a reflexão sobre os desafios para a avaliação nutricional de mulheres transgênero vivendo com HIV/Aids.

DOI: 10.12957/demetra.2016.22542

 


Palavras-chave


pessoas transgênero, óleo de silicone, lipodistrofia, avaliação nutricional, composição corporal, HIV.

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DOI: https://doi.org/10.12957/demetra.2016.22542

e-ISSN: 2238-913X


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