A SUJEIÇÃO AOS PADRÕES CORPORAIS CULTURALMENTE CONSTRUÍDOS EM MULHERES DE BAIXA RENDA

Manoel Antonio dos Santos, Rosa Wanda Diez Garcia, Marília Liotino dos Santos

Resumo


A obesidade feminina é um dos problemas nutricionais mais preocupantes da atualidade, com maior prevalência em mulheres com baixo nível socioeconômico. A percepção social do fenômeno da obesidade se alterou significativamente no decorrer dos tempos. Assistimos a uma sujeição contemporânea a padrões corporais culturalmente impostos e socialmente construídos, prevalecendo o imperativo estético que elege a magreza e o corpo esbelto como padrão a ser alcançado por todas as mulheres. Isso se torna particularmente perverso nas mulheres de baixa renda, devido à “ética alimentar” que norteia suas ações, segundo a qual as pessoas devem ser educadas a gostar de tudo, sendo que o ato de comer é mais valorizado do que a própria comida. Este artigo se justifica pela relevância de compreender as transformações na imagem valorizada do corpo feminino, a partir de estudos de autores que abordam o problema da obesidade em mulheres de baixo nível socioeconômico. O objetivo do estudo é refletir sobre a sujeição contemporânea aos padrões corporais culturalmente construídos, ao examinar como eles incidem em mulheres de baixa renda. Os achados permitiram desvelar o sofrimento gerado pela insatisfação corporal que aflige as mulheres pobres, uma vez que o acesso aos bens e serviços para transformar o corpo está distante de suas possibilidades financeiras. Para lidar com a frustração que inevitavelmente se instala, o prazer centrado demasiadamente na comida é exacerbado. É a possibilidade que a mulher encontra de dar expressão à frustração, ao mesmo tempo que garante a fruição de um prazer imediato.

DOI: 10.12957/demetra.2015.16117

 


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DOI: https://doi.org/10.12957/demetra.2015.16117

e-ISSN: 2238-913X


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