A ÉTICA ALIMENTAR NOS BANQUETES BÍBLICOS: PASSAGEM, COMUNHÃO E PODER

Raquel Santos Vitorino, Michelle Cristine Medeiros, Vanessa Nogueira Bezerra, Izayana Pereira Feitosa, Hermano Machado Ferreira Lima

Resumo


Os banquetes, desde a Idade Antiga, oferecem elementos para reflexão sobre a passagem natureza-cultura operada via comensalidade no âmbito da culinária humana. E a Bíblia, enquanto obra literária, maior influência na formação da cultura ocidental, deixa pistas para a compreensão dos movimentos que instituíram tal prática de sociabilidade em torno da comida, bem como nos ajuda a refletir como eles ecoam em nossas práticas atualmente. Assim, este artigo objetiva compreender a ética constitutiva de banquetes descritos no texto bíblico, tendo como corpus a Bíblia. As análises do texto foram realizadas segundo a proposta de Bauer e Gaskell (2002). Os resultados apontaram para três tipos de comportamento que regiam os atos de partilha de alimentos: (1) a ética da passagem, que serve como signo de uma mudança na vida coletiva ou individual; (2) a ética da comunhão, que cria uma esfera de partilha de valores, conquistas, ideais, de cuidado em favor de alguém ou um povo, visando a um fim político; e (3) a ética do poder, partilhas que engendram relações de acordo, de demonstração do poder via produção de imagens de fartura e que desenham distinção entre soberano e súditos. Nessa ótica, pensar em alimentação envolve focar não apenas no componente nutricional, mas pensar os símbolos, a imaginação coletiva, a sociabilidade, enfim, as questões que perpassam o humano. Isso levanta desafios e a necessidade da construção de uma Antropologia da Nutrição.

DOI: 10.12957/demetra.2016.15976

 


Palavras-chave


Banquete. Comensalidade. Sociabilidade. Cultura

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DOI: https://doi.org/10.12957/demetra.2016.15976

e-ISSN: 2238-913X


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