A ESCRITA DA AUSÊNCIA EM A CHAVE DE CASA: PERFORMATIVIDADE DA VOZ NARRATIVA

Paulo Alberto da Silva Sales

Resumo


Desenvolve-se uma leitura do romance A chave de casa (2007), de Tatiana Salem Levy, no intuito de evidenciar como a voz autodiegética – ao adotar tanto a focalização interna fixa quanto a variável e a múltipla – articula ausências de escrita, seja no nível estrutural (por meio da fragmentação, digressão, metaficção) e/ou no entrelaçamento dos eixos narrativos que compõem o enredo. Por se tratar de uma autoficção, a diegese de Levy difere-se de uma autobiografia e de um romance autobiográfico por apresentar uma escrita performática e ambígua que coloca em xeque os limites de representação do eu ao forjar elementos autobiográficos. Além disso, a narradora-protagonista se apresenta de forma desterritorializada, multi-identitária e fortemente vinculada aos aspectos “estritamente reais” de Tatiana Salem Levy. Tais biografemas são arquitetados por uma linguagem especular que pulsa no desejo de revelar a verdade textual. Para tanto, nos valemos dos estudos de Barthes (1999; 2004; 2010), Blanchot (1987; 1997; 2013), Deleuze (2010a; 2010b; 2011), Doubrovsky (1977), Faedrich (2014; 2016), Figueiredo (2013), Foucault (2006; 2010), Gasparini (2008; 2016), Hall (2006), Hutcheon (1984), Klinger (2008; 2012), Lejeune (2014), dentre outros. Dando cabo à leitura, constatamos que as diferentes formas fragmentárias presentes nos eixos do romance convergem entre si no propósito de construir, como quer a instância narrativa, a (ir)realidade fictícia.

Palavras-chave


Tatiana Salem Levy; Ausência; Voz narrativa.

Texto completo:

PDF


DOI: https://doi.org/10.12957/seminal.2021.58243

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


ISSN: 1414-4298 | e-ISSN: 1806-9142

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.