A representação do estrangeiro e do estranho em “Fronteira Natural”, de Nélida Pinõn

Suely LEITE

Resumo


A literatura constitui-se em terreno fértil para a ficcionalização das experiênciashumanas, entre elas a interação do indivíduo com o Outro e consigo mesmo. Essainteração reflete semelhança e estranheza, facetas que compõem a totalidademúltipla do ser. O conto “Fronteira Natural” de Nélida Piñon, publicado em 1973, nacoletânea intitulada Sala de Armas, é exemplar dessa arquitetura. O protagonistada narrativa parte de sua aldeia rumo ao inferno, em busca de uma completudenunca encontrada diante dos seus. Ao regressar, torna-se portador de um todoindivisível com a natureza, identidade que passa a ser almejada por todos daaldeia. O texto nos remete a tradição narrativa, pois estrutura-se em torno detrês pilares: o jovem herói, o inferno e a viagem. A figura do jovem carrega oestereótipo de uma existência destinada a uma busca. O inferno é o espaçoestrangeiro, desconhecido, o reino mais rico, atraente, que oferece ao jovem daaldeia a completude identitária tão desejada; nele estabelece-se a dicotomiaentre norma e diferença, estrangeiro e estranho. A análise do texto percorreráos estudos sobre o duplo exterior, tema recorrente na obra de Julia Kristeva.

Palavras-chave


Conto maravilhoso; estrangeiro; estranho; Nélida Piñon

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DOI: https://doi.org/10.12957/cadsem.2012.11011

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ISSN: 1414-4298 | e-ISSN: 1806-9142

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