ESCRITA E SUBJETIVIDADE NA EDUCAÇÃO BÁSICA: UMA ANÁLISE DISCURSIVA DA BNCC
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Resumo
Este trabalho integra um projeto de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade de Passo Fundo (UPF) e investiga a escrita na educação básica como prática social de inscrição da subjetividade e da memória. Fundamentada na perspectiva dialógica da linguagem, a pesquisa apoia-se na concepção de linguagem de Bakhtin (2016) e Volóchinov (2018), a partir da qual compreende a escrita como ato interativo em que o sujeito posiciona-se e dialoga com outros discursos. O percurso metodológico envolve uma análise da Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2018), com foco no uso do termo “produção de texto” na área de linguagens, especialmente no componente de língua portuguesa dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio, com vistas a identificar a frequência, os contextos de ocorrência e os sentidos atribuídos ao termo no documento, o que permite refletir sobre a concepção de língua e escrita nele presente. A análise mostra que, embora a expressão “produção de textos” esteja presente no documento, o emprego se dá, na ampla maioria das ocorrências, para referir-se a uma das práticas sociais preconizadas pelo referencial, sendo poucas as habilidades que fazem uso da noção de produção de textos na perspectiva de interação. De acordo com a concepção discursiva e enunciativa adotada nesta pesquisa, defende-se a escrita como um tempo-espaço de expressão da singularidade e da interação, não como uma mera atividade de reprodução de gêneros discursivos que mais parecem uma lista a ser cumprida, conforme se identifica na BNCC.
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