ARQUIVOS DA ESCRAVIDÃO: RASTROS DOS CRIMES DO CAIS DO VALONGO
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Resumo
Este artigo tem o objetivo de discutir os múltiplos arquivos da escravidão, desenvolvendo o conceito de corpo-arquivo na diáspora africana ao compreender que as memórias, as experiências e as formas de resistência estão ancoradas no corpo negro. Partindo do caráter lacunar tanto da narrativa histórica oficial quanto dos arquivos coloniais, a revisitação crítica deste passado permite a construção de novas perspectivas. Publicada um ano após o Sítio Arqueológico do Valongo ter sido declarado sítio sensível pela UNESCO em 2017, a obra O crime do Cais do Valongo, de Eliana Alves Cruz, reelabora discursos ao protagonizar as experiências negras e mobiliza os diferentes tipos de arquivos — o cais, os ossos, os objetos, o cemitério, o corpo. Nesse sentido, a construção de um Rio de Janeiro majoritariamente negro e caótico emerge da própria luta por sobrevivência dos sujeitos escravizados — imagens que só existem porque são narradas por uma voz negra. À luz de Saidiya Hartman, Michel Foucault, Stuart Hall, entre outros autores, desenvolve-se uma discussão sobre o arquivo e suas implicações enunciativas, simbólicas e históricas. A partir do diálogo entre literatura e História, por vezes complementar, por vezes em atrito, argumenta-se que essas narrativas avivam a presença do passado no presente, além de revelarem as políticas de apagamento que se atualizam em diferentes épocas, em um país onde o sujeito negro foi historicamente excluído da formação nacional. Com isso, o artigo busca contribuir para os estudos de literatura afro-brasileira ao mobilizar a ideia de corpo-arquivo no contexto da obra de Eliana Alves Cruz.
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