A NOVA PLANTATION: NEONARRATIVAS DE ESCRAVOS E NECROPOLÍTICA EM O REFORMATÓRIO NICKEL

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ROBERTO JUNIOR

Resumo

Em O Reformatório Nickel (2019), Colson Whitehead ficcionaliza a descoberta de valas comuns na Arthur G. Dozier School for Boys, reformatório localizado na Flórida, historicamente associado a décadas de abusos institucionais e violência racial. Inspirado em eventos históricos, o romance concentra-se nos corpos negros ali enterrados, construindo uma narrativa de resistência à obliteração da memória histórica. A estrutura narrativa da obra adquire um caráter palimpsesto ao fundir o romance prisional a elementos estruturais e temáticos característicos do gênero neonarrativas de escravos, conforme definidas por Bernard W. Bell (1987) e posteriormente desenvolvidas por Ashraf H. A. Rushdy (1999). Além disso, baseado no conceito de “terceiro lugar” desenvolvido por Achille Mbembe, argumento que Whitehead representa o reformatório como uma nova plantation. Por fim, concluo que ao sobrepor passado e presente, Whitehead revela o funcionamento do Estado penal como extensão da economia da plantation, iluminando as continuidades da violência racial sistêmica na sociedade norte-americana contemporânea.

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Como Citar
JUNIOR, ROBERTO. A NOVA PLANTATION: NEONARRATIVAS DE ESCRAVOS E NECROPOLÍTICA EM O REFORMATÓRIO NICKEL. Caderno Seminal, Rio de Janeiro, n. 54, 2026. DOI: 10.12957/seminal.2025.93128. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/cadernoseminal/article/view/93128. Acesso em: 4 mar. 2026.
Seção
Neonarrativas de Escravidão: Memória e Representação nas Literaturas Contemporâneas