Necro-trans-política: por uma teoria da administração diferencial da vivibilidade das pessoas trans
DOI:
https://doi.org/10.12957/rep.2026.102273Palavras-chave:
necro-trans-política, trans eliminationism, epistemicídio, precariedade, teoria políticaResumo
Este artigo propõe, a partir de uma revisão crítica da literatura e do diálogo interdisciplinar entre filosofia política, teoria do direito, estudos trans e saúde coletiva a formulação da categoria necro-trans-política como uma racionalidade político-institucional que organiza a administração diferencial das condições de vivibilidade (Butler, 2009) das pessoas trans. Partindo das contribuições da biopolítica (Foucault, 2008), da necropolítica (Mbembe, 2018), da vivibilidade (Butler, 2009), da precariedade (Butler, 2015), da violência estrutural (Galtung, 1969) e da injustiça epistêmica (Fricker, 2007), argumenta-se que tais categorias, embora fundamentais, não capturam plenamente a articulação contemporânea entre regimes de verdade, instituições e produção de vulnerabilidade. A partir do conceito de TransEpistemicídio (Benevides; Lee, 2018), da literatura sobre trans eliminationism (Veale, 2024) e dos dossiês da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra, 2026), o artigo demonstra a existência de um ecossistema institucionalmente mobilizado para promover políticas de extermínio que operam de forma convergente na produção de condições progressivas de precarização da vida trans. Defende-se que a necro-trans-política constitui uma ampliação analítica capaz de integrar epistemologia, institucionalidade e materialidade em um mesmo quadro teórico.
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