Corpo feminino e deformação retórica na sátira seiscentista
DOI:
https://doi.org/10.12957/palimpsesto.2026.91313Palavras-chave:
sátira seiscentista, retórica, corpo feminino, colonialismo, Gregório de Matos e Guerra.Resumo
O presente artigo analisa como a sátira seiscentista luso-brasileira distorce o corpo feminino retoricamente para reforçar hierarquias coloniais. A partir da análise de poemas atribuídos a Gregório de Matos e Guerra e Antônio da Fonseca Soares, são articuladas deformações por meio de tópicas como sexus, associando vícios ao gênero. O estudo evidencia que a sátira, ao ridicularizar condutas e corpos, atua como ferramenta de controle simbólico e disciplinar, ajustando-se às demandas políticas e morais do Estado colonial, em especial na reafirmação da subordinação feminina. A comparação entre produções da colônia e da metrópole revela como a moral católica e a razão de Estado estruturam a crítica social travestida de humor. O trabalho destaca, por fim, o uso estratégico do riso e da violência simbólica para naturalizar a ordem colonial.
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