Securitização Da Tríplice Fronteira E Unilateralismo Norte-Americano: Hegemonias Discursivas, Erosão Multilateral E A Política Externa Argentina No Pós-11 De Setembro | Securitization Of The Triple Border Area And North American Unilateralism: Discursive Hegemonies, Multilateral Erosion, And Argentine Foreign Policy After 9/11
Discursive Hegemonies, Multilateral Erosion, and Argentine Foreign Policy after 9/11
DOI:
https://doi.org/10.12957/neiba.2026.97314Palavras-chave:
Tríplice Fronteira, Hegemonia, Securitização, Securitization, Triple Border Area, HegemonyResumo
RESUMO:
Este artigo analisa o atentado à Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), ocorrido em 1994, como um ponto de inflexão geopolítica na trajetória da Argentina no pós-Guerra Fria. O trabalho defende que a investigação do caso, consolidada no Relatório AMIA (2006), foi influenciada pela narrativa de “Guerra ao Terror” estabelecida pelos Estados Unidos após o 11 de setembro. Isso resultou em um processo de securitização da Tríplice Fronteira (Argentina, Brasil e Paraguai), classificada pelo Relatório 11 de setembro (2004) e por outros relatórios oficiais como o Padrões do Terrorismo Global, também denominado Relatório por País sobre o Terrorismo (Patterns of Global Terrorism ou Country Report on Terrorism) como um "santuário terrorista" e com isso, atendendo aos interesses hegemônicos em prejuízo da soberania jurídica dos países dessa região. Do ponto de vista metodológico, o artigo analisa de forma qualitativa e analítico-documental as fontes primárias como o Relatório 11 de Setembro (2004), o Relatório AMIA (2006), os Country Reports on Terrorism e a NSS 2025, articuladas a partir de dois referenciais teóricos complementares: as categorias de hegemonia e intelectuais orgânicos de Antonio Gramsci como ferramentas epistemológicas e o conceito de securitização de Barry Buzan e Lene Hansen. Entendemos que agências de inteligência externas (CIA e Mossad), think tanks neoconservadores e a mídia internacional atuaram como intelectuais orgânicos para construir um consenso sobre a culpa do Irã e do Hezbollah, através de anacronismos e necessidades políticas conjunturais. O artigo também analisa esses eventos através de uma perspectiva que estabelece uma ponte com o cenário contemporâneo ao abordar a Estratégia de Segurança Nacional dos EUA de 2025 (NSS 2025) sob o governo Trump. Desse modo, sustentamos que o unilateralismo e a erosão do multilateralismo observados no caso AMIA tendem a se manifestar como tendências recorrentes na política externa norte-americana. A renovação da Doutrina Monroe e a expansão do conceito de terrorismo para cartéis de drogas evidenciam a continuidade de uma lógica em que o poder hegemônico define ameaças de forma unilateral, enfraquece as instâncias coletivas de deliberação e condiciona as políticas de segurança dos países periféricos.
Palavras-chave: Securitização; Tríplice Fronteira; Hegemonia.
ABSTRACT:
This article analyzes the bombing of the Argentine Israelite Mutual Association (AMIA), carried out in 1994, as a geopolitical turning point in Argentina's post-Cold War trajectory. The study argues that the investigation of the case, consolidated in the 2006 AMIA Report, was influenced by the "War on Terror" narrative established by the United States after September 11. This led to a securitization process targeting the Triple Border Area (Argentina, Brazil, and Paraguay), classified by the 9/11 Commission Report (2004) and other official documents — including the Patterns of Global Terrorism, also known as the Country Reports on Terrorism — as a "terrorist safe haven," thereby serving hegemonic interests at the expense of the legal sovereignty of the countries in the region. From a methodological standpoint, the article conducts a qualitative and documentary-analytical examination of primary sources such as the 9/11 Commission Report (2004), the AMIA Report (2006), the Country Reports on Terrorism, and the NSS 2025, articulated through two complementary theoretical frameworks: Antonio Gramsci's categories of hegemony and organic intellectuals as epistemological tools, and Barry Buzan and Lene Hansen's concept of securitization. The study posits that foreign intelligence agencies (CIA and Mossad), neoconservative think tanks, and the international media acted as organic intellectuals to build a consensus regarding the guilt of Iran and Hezbollah, through anachronisms and situational political needs. The article also examines these events by bridging them to the contemporary landscape, addressing the 2025 U.S. National Security Strategy (NSS 2025) under the Trump administration. Accordingly, we argue that the unilateralism and erosion of multilateralism observed in the AMIA case tend to manifest as recurrent patterns in U.S. foreign policy. The renewal of the Monroe Doctrine and the expansion of the concept of terrorism to include drug cartels highlight the continuity of a logic whereby the hegemonic power unilaterally defines threats, weakens collective deliberation instances, and conditions the security policies of peripheral countries.
Keywords: Securitization; Triple Border Area; Hegemony.
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