Direitos humanos sob vigilância na ditadura civil-militar

Construções e disputas dentro dos documentos de informações (1969-1985)

Autores

Palavras-chave:

Informações, Direitos Humanos, Ditadura Civil-militar

Resumo

Este artigo analisa a vigilância do Serviço Nacional de Informações (SNI) sobre grupos e movimentos sociais de direitos humanos durante a ditadura civil-militar brasileira (1964-1985), com foco no período de 1969 a 1985. Baseando-se em documentos de informação do SNI disponíveis no Arquivo Nacional, o estudo busca investigar como os agentes e órgãos de informação compartilharam percepções sobre os direitos humanos, elaborando uma construção sobre a temática. A análise também aborda a relação entre a vigilância e as disputas presentes nos documentos produzidos pelos agentes de informação durante o processo de abertura política, quando as denúncias de violações de direitos humanos ganharam destaque na luta por democracia e justiça. Nesse sentido, se propõem que a construção sobre os direitos humanos nos documentos do SNI buscava desqualificar essas reivindicações, associando-as a ameaças comunistas e justificando ações repressivas. Conclui-se que a sistemática vigilância exercida pelo SNI foi uma ferramenta estratégica para sustentar a impunidade dos militares e garantir a coesão institucional durante a transição para a democracia.

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Biografia do Autor

Leonardo Fetter da Silva, Universidade Federal de Juiz de Fora

Pesquisador em Estágio de Pós-doutorado no Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal de Juiz de Fora. Doutor, Mestre e graduado em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

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Publicado

2025-11-21

Como Citar

FETTER DA SILVA, Leonardo. Direitos humanos sob vigilância na ditadura civil-militar: Construções e disputas dentro dos documentos de informações (1969-1985). Revista Maracanan, Rio de Janeiro, Brasil, n. 40, p. 1–25, 2025. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/maracanan/article/view/88200. Acesso em: 5 fev. 2026.