Corporativismo português em debate
Perspectivas do integralismo brasileiro sobre o Estado Novo salazarista
Palavras-chave:
Corporativismo, Estado Novo Português, Integralismo BrasileiroResumo
O corporativismo estabelecido durante o período entreguerras conformou-se como uma ideia em movimento em um contexto histórico de superação autoritária do Estado liberal, sendo apresentado como modelo de representação autoritário, que tinha como fim assegurar a ordem social. O caso do corporativismo português empreendido pelo Estado Novo de António Oliveira Salazar é emblemático, uma vez que foi um dos principais protagonistas na propagação do conceito. Considerando os processos de difusão transnacional, o objetivo deste artigo é analisar como o projeto político de Salazar foi recepcionado pela maior organização fascista fora da Europa, a Ação Integralista Brasileira (AIB). Amparados em preceitos autoritários, cristãos e nacionalistas, os integralistas brasileiros defendiam uma proposta de Estado corporativista. Dessa forma, o Estado Novo português representava um exemplo a ser seguido, visto que se configurava como um caso bem-sucedido de implementação de princípios corporativistas em um regime. Nos impressos integralistas, essa relação é bastante clara, havendo sucessivos comentários sobre os sucessos salazaristas e o seu projeto político corporativo. Assim sendo, tenciona-se observar as reflexões realizadas pelos intelectuais integralistas acerca do corporativismo português.
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