O que resta do futuro após o fim da história?

a hipótese presentista e a (in)disponibilidade da história

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/revmar.2024.80056

Palavras-chave:

Futuro, História, Tempo, Presentismo, Antropoceno

Resumo

O artigo tem por objetivo analisar a hipótese “presentista” do historiador francês François Hartog à luz do problema da disponibilidade da história. Para tanto, colocamos a hipótese em diálogo com uma bibliografia brasileira, mas não apenas, que procurou, dentre outras coisas, apontar as insuficiências teóricas e políticas desta hipótese, bem como destacar as dimensões e riscos que se impõem à tarefa de nomear o contemporâneo. Entendemos que as perspectivas que argumentam acerca de uma desorientação do tempo a partir da crise do conceito moderno de história podem ser redimensionadas a partir de um adensamento na descrição dos processos de temporalização na contemporaneidade. Por fim, argumentamos que a pergunta sobre a disponibilidade da história, quando o futuro já não é mais o mesmo, ganha novos contornos com um futuro que já não está mais necessariamente associado a promessas redentoras e, sim, atento às condições objetivas para a vida no planeta e para o cuidado com tudo aquilo que habita o tempo.

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Biografia do Autor

Mauro Franco Neto, Universidade do Estado de Minas Gerais

Professor Adjunto da Universidade do Estado de Minas Gerais, Unidade Divinópolis, Departamento de Humanidades. Doutor e graduado em História pela Universidade Federal de Ouro Preto; Mestre em História Social da Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

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Publicado

2024-05-17 — Atualizado em 2024-09-16

Como Citar

FRANCO NETO, Mauro. O que resta do futuro após o fim da história? a hipótese presentista e a (in)disponibilidade da história. Revista Maracanan, Rio de Janeiro, Brasil, v. 1, n. 35, p. 290–309, 2024. DOI: 10.12957/revmar.2024.80056. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/maracanan/article/view/80056. Acesso em: 5 fev. 2026.

Edição

Seção

Artigos