O sagrado, o profano e a superstição em Apuleio: a experiência do sagrado na Roma Imperial
DOI:
https://doi.org/10.12957/intellectus.2026.90597Palavras-chave:
Sagrado, Profano, Externa Superstitio, Asinus AureusResumo
Este estudo analisa a representação do sagrado, do profano e da superstição no Asinus aureus (Metamorphoses), de Apuleio, examinando como essas categorias estruturam a experiência religiosa e as práticas cultuais na Roma imperial. A pesquisa concentra-se nos livros I, II, VIII, IX e XI, que evidenciam crenças populares, relatos de feitiçaria e cultos greco-orientais frequentemente classificados como externa superstitio, revelando sua recepção entre diferentes grupos sociais. A partir de uma abordagem histórico-literária, discute-se a relação entre religio e superstitio e a circulação de cultos orientais no Mediterrâneo. O estudo também problematiza o uso das categorias de Mircea Eliade e destaca a instabilidade do narrador autodiegético, cujos relatos são moldados por ironia e fabulação. Ao integrar literatura antiga, história das religiões e teoria social, a investigação contribui para o entendimento da religiosidade romana e dos estudos sobre Apuleio.
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