Conhecimentos não Conhecidos: os limites do conhecimento científico e o seu (Des)Privilégio no conhecimento local africano

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/intellectus.2024.81704

Palavras-chave:

Ubuntu, Ujamaa, Conhecimento, Método

Resumo

Examino neste trabalho, a atitude científica, por meio do seu campo, conhecido como Conhecimento. Debruço-me em torno dos processos por intermédio dos quais a ciência considera válidos para legitimar o conhecimento. Dos argumentos de René Descartes, sobre o método científico, e das observações de Valéria Giannella sobre a construção da epistemologia a partir de uma outra abordagem; percebo que, a exploração da ciência não ocidental pela ciência ocidental, fez conflituar os interesses de produção científica, fazendo-lhe perder prestígio na África. Partindo, de “experiências e sentidos” (LARROSA, 2002) africanos, como Ujamaa (NHERERE, 1968), sugiro, uma reflexão em torno das metodologias caracterizantes da ciência, e a adaptação de meios que se desfaçam de modelos padronizados e localizados em ideologias ocidentais. Só assim, será possível o socialismo científico à luz das interconexões socioculturais.

Biografia do Autor

Cleiton Fernando Pinto Celestino, Universidade Lúrio, Moçambique

Doutorando em Estado e Sociedade pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Brasil
Professor no curso de Desenvolvimento Local e Relações Internacionais na
Universidade Lúrio (UniLúrio) - Moçambique

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Publicado

2024-05-21

Como Citar

Celestino, C. F. P. (2024). Conhecimentos não Conhecidos: os limites do conhecimento científico e o seu (Des)Privilégio no conhecimento local africano. Intellèctus, 23(1), 43–67. https://doi.org/10.12957/intellectus.2024.81704