Os novos manicômios a céu aberto: cidade, racismo e loucura

Elizete Maria Menegat, Marco José de Oliveira Duarte, Vanessa de Fátima Ferreira

Resumo


 O objetivo deste trabalho é discutir a indissociável transversalidade de certos fatores que configuram o perfil do louco na atualidade.  Nesse sentido, consideramos, primeiramente, a cidade e os processos de urbanização conduzidos pelo moderno sistema capitalista como quadro socioespacial no qual a miséria e a loucura em massa emergiram e se estruturaram como fenômenos permanentes. Nas periferias, tais como o Brasil, que foram colonizadas pelo sistema capitalista mundial com base na escravidão da força de trabalho africana, a loucura persistiu, em todas as épocas, como doença dos pobres e negros. Na atualidade, quando a taxa de urbanização brasileira aproxima-se de 90% e coincide com a crise estrutural do sistema, observamos que a loucura tem maior incidência nos negros, os quais se encontram majoritariamente concentrados nas densas periferias das cidades, com os piores indicadores de habitação, emprego, renda, escolaridade e submetidos a toda sorte de violência.

 

Palavras-Chave: cidade; racismo; loucura; capitalismo; raça negra.


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DOI: https://doi.org/10.12957/rep.2020.47217

 

 

                                              

ISSN: 1414-8609 | e-ISSN: 2238-3786 JournalDOI: http://doi.org/10.12957/rep

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