“Em defesa do meu nome”: o caso dos alemães e a representação do nazismo em Belém, durante a Segunda Guerra Mundial

Tunai Rehm Costa de Almeida, Edivando da Silva Costa

Resumo


Este artigo tem por objetivo analisar como a representação do nazismo no Brasil, durante o período da Segunda Guerra Mundial, levou a delações contra sujeitos que supostamente atuariam em favor da Alemanha em Belém, no Pará. Em forma de defesa, os acusados buscavam as páginas dos periódicos locais para esclarecer dúvidas que pudessem surgir em relação a sua posição durante o processo beligerante. No campo teórico, tal análise utiliza o conceito de representação, como pensado pelo historiador Roger Chartier. As principais fontes examinadas foram os jornais que circulavam na capital paraense: O Estado do Pará, A Vanguarda e a Folha do Norte. Metodologicamente, Robert Darnton, em O beijo de lamourette, indica um caminho para compreender de maneira crítica a documentação visitada. Por se tratar de um contexto bélico, e o fato do Brasil ter rompido relações diplomáticas com a Alemanha, um dos países que compunha o chamado Eixo, sujeitos rotulados como nazistas ganharam as páginas da imprensa paraense. Constatou-se que os seguidores de Hitler possuíam uma imagem de desleais e perigosos. Assim, ser alemão ter tido ou possuir naquele instante um vínculo com a Alemanha representava a possibilidade de atuação junto ao inimigo. Os periódicos foram então utilizados para promover acusações e, de maneira antagônica, defesa, contribuindo para potencializar as faces do conflito no cotidiano belenense.     


Palavras-chave


Pará. Nazismo. Segunda Guerra. Quinta-Coluna.

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DOI: https://doi.org/10.12957/revmar.2022.64411

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