Comícios, Passeatas, Quebra-Quebra: um olhar sobre a historiografia dos protestos contra o Eixo no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial (décadas de 1990-2010)

Geraldo Magella de Menezes Neto

Resumo


O ano de 2022 simboliza os 80 anos da entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em 1942, ao lado dos Aliados contra os países do Eixo. Fato marcante deste acontecimento foram os protestos populares ocorridos após os afundamentos de navios brasileiros pelos submarinos do Eixo, no qual a população exigiu uma resposta do governo, mesmo sob a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas. Os protestos foram realizados em várias cidades do país, desencadeando ações mais violentas como agressões aos imigrantes alemães, italianos e japoneses e seus descendentes, além de saques e depredações aos seus estabelecimentos. Muitos estudos já foram produzidos sobre os significados destes protestos contra o Eixo. Assim, a efeméride dos 80 anos nos motiva a investigar essa produção. Nesse sentido, o objetivo deste artigo é o de analisar a historiografia dos protestos contra o Eixo no Brasil ocorridos durante a Segunda Guerra Mundial. Para tal, analisamos vários trabalhos sobre a temática produzidos no período mais recente, entre as décadas de 1990 e 2010, procurando entender suas abordagens dos protestos, as influências teóricas, as fontes utilizadas, e suas interpretações. Compreender as manifestações populares contra o Eixo nos ajuda a observar a guerra e seus efeitos no Brasil a partir do ponto de vista da população, que teve seu cotidiano afetado pelo conflito mundial e também demonstrou o seu posicionamento perante os acontecimentos.


Palavras-chave


Brasil. Historiografia. Protestos. Segunda Guerra Mundial.

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DOI: https://doi.org/10.12957/revmar.2022.64387

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