Império português, poderes locais e a administração do Hospital de São João de Deus da Vila de Cachoeira (Bahia, século XVIII)

Tânia Maria Pinto de Santana

Resumo


Neste artigo analisaremos as práticas administrativas do Hospital de São João de Deus da Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira no período em que esteve subordinado à autoridade dos juízes de fora da vila, a partir de 1771, buscando compreender a sua importância enquanto espaço de representação das elites locais. A compreensão dos rumos dado ao Hospital de São João de Deus da Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira nas últimas décadas do século XVIII somente é possível se considerarmos a sua inserção num contexto mais amplo, da organização administrativa e política da vila. Neste sentido, a análise da trajetória do hospital e dos sujeitos envolvidos em sua administração nos revela aspectos significativos das relações políticas e sociais locais, nos permitindo compreender as estratégias e conflitos que envolveram os diferentes sujeitos vinculados aos poderes imperial e local dentro desta sociedade. As fontes prioritárias desta pesquisa foram os documentos, preservados no Arquivo Histórico Ultramarino, em Lisboa, e na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro – requerimentos, cartas, ofícios, representações, pareceres e decreto –, relativos à administração da vila e do hospital.


Palavras-chave


Administração Colonial; Elites Locais; Hospital de São João de Deus; América Portuguesa

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DOI: https://doi.org/10.12957/revmar.2020.50231

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