Rio de imagens: cultura midiática na Belle Époque

Carmem Lúcia Negreiros de Figueiredo

Resumo


No Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XX, tecnologias e novas funções econômicas e simbólicas das imagens e produtos assinalam o nascimento da cultura midiática com intenso fluxo de informação tipográfica e visual. As crônicas literárias registram novos modos de ver e narrar a cidade, a partir do diálogo com as imagens que alteram a estrutura da percepção dos sujeitos. Tomando por referência as crônicas de João do Rio, Olavo Bilac, Benjamin Costallat e Lima Barreto, o artigo analisa o impacto do cinema, da imprensa e da vitrine na produção de novas sociabilidades e sensibilidades no espaço urbano. Para a abordagem sobre o que se convencionou chamar Belle Époque consideramos como baliza temporal o período de 1890-1920 e serão utilizados, na reflexão, conceitos de Walter Benjamin, Friedrich Kittler, Georg Simmel, Jonathan Crary e Jean-Yves Mollier.


Palavras-chave


Crônicas; Rio de Janeiro; Cinema; Imprensa; Vitrine

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DOI: https://doi.org/10.12957/revmar.2020.47718

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