A distância entre a cidade efêmera e a memória das pedras: arquitetura e hierarquia no Rio de Janeiro do período joanino

Carlos Eduardo Pinto de Pinto

Resumo


O artigo aborda o uso da arquitetura efêmera como forma de consolidação da sociedade de Corte no Rio de Janeiro durante o Período Joanino. Por meio de reflexões a respeito das origens barrocas desse recurso, se defende a existência de uma relação hierárquica entre a cidade ideal, manifestada nos aparatos efêmeros, e a cidade material. Esta, a cidade sombria, das indefinições físicas e sociais, dos ruídos, do mau-cheiro; aquela, a cidade iluminada, da ordenação simétrica e hierarquizada dos espaços e dos corpos, da música, do perfume. A comparação entre as duas, em busca de seus limites e interseções, determina a rota seguida pelo texto.


Palavras-chave


Arquitetura Efêmera; Hierarquia; Rio de Janeiro; Período Joanino

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DOI: https://doi.org/10.12957/revmar.2018.33640

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