Um museu de grandes novidades: capital fictício, fundo público e a economia política da catástrofe

Javier Blank

Resumo


Neste artigo afirma-se a urgência de superar o senso comum que interpreta fenômenos novos a partir de análises anacrônicas. Recupera-se a noção de capital fictício de Marx e afirma-se o seu papel predominante na dinâmica atual de acumulação de capital. Por meio da ficcionalização da riqueza, a riqueza futura potencial antecipa-se como riqueza atual. Isso produz uma nova relação do presente com o futuro. Os efeitos catastróficos que essa lógica produzirá no futuro acabam se internalizando como base da própria produção da riqueza. A partir disso, formula-se a ideia de uma economia política da catástrofe. Considerando a participação da ficcionalização da riqueza na formação do fundo público, questiona-se a compreensão frequente que interpreta o fundo público como sendo exclusivamente formado por mais-valia previamente produzida e apropriada pelo Estado. Finalmente, extraem-se algumas considerações sobre o horizonte das lutas sociais a partir da compreensão dessas profundas novidades que apresenta atualmente o capitalismo, que é aqui considerado livremente um museu, que tenta ao mesmo tempo manter uma forma fixa e cada vez mais anacrônica.


Palavras-chave


Capital Fictício; Fundo Público; Crise do Capital; Economia Política da Catástrofe

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DOI: https://doi.org/10.12957/maracanan.2018.31321

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