Retrato, biografia e conhecimento histórico no Brasil oitocentista

Paulo Roberto Jesus Menezes

Resumo


Pouco estudadas, uma grande quantidade de obras compostas por retratos e biografias, denominadas Galerias – elas podiam ser ilustradas, pitorescas, de homens e mulheres ilustres, coleção de retratos e biografias, retratos e elogios – circulou no Brasil já nas primeiras décadas do século XIX. Como portadores materiais da memória, na instigante definição de Aleida Assmann, essas obras nos mostram a crescente preocupação em aproximar imagens e textos no intuito tanto de generalizar quanto de institucionalizar uma política de memória. Rostos pouco conhecidos começavam a participar das disputas pelo passado. Assim, este artigo visa, sobretudo, analisar a conexão de imagens e textos (retratos e biografias) na elaboração do conhecimento histórico no Brasil oitocentista em uma operação de tornar visível o até então invisível passado.


Palavras-chave


Retrato; Biografia; Conhecimento Histórico

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DOI: https://doi.org/10.12957/revmar.2017.28366

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