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Revista Maracanan n. 27 (set. 2021) - "Saberes e poderes no universo ibérico: discursos da cultura escrita na modernidade (séculos XVI-XIX)"


A partir da década de 1990 houve um significativo crescimento de pesquisas no âmbito da historiografia nacional e internacional voltadas à compreensão da cultura escrita na Modernidade. Essas investigações têm abarcado o período compreendido entre os séculos XVI e as independências americanas, no raiar do século XIX, e problematizado a produção, a circulação, o uso e a conservação de manuscritos e impressos vinculados aos seus usos políticos, sociais, religiosos, pedagógicos, culturais tanto na metrópole quanto no território colonial. Intelectuais como Roger Chartier, Robert Darnton, Antonio Castillo Goméz, Fernando Bouza e Diogo Ramada Curto têm contribuído, sobremaneira, para o avanço do conhecimento e da compreensão acerca da circulação de ideias através de seus trabalhos sobre a história do livro e da leitura e da história da cultura escrita global, que interligam manuscritos, impressos e oralidade.

Tais investidas têm considerado os domínios analíticos do discurso, das práticas e das representações, e compreendido a escrita como importante instrumento para o entendimento da difusão e apropriação de informações, saberes e poderes. As cartas dos administradores ultramarinos; o as múltiplas tipologias documentais do exercício do mando; os livros e peças de teatro censurados e proibidos de circular, assim como a estrutura da imprensa na metrópole e na colônia; o processo de escrita e tradução de obras científicas e literárias os documentos inquisitoriais; os papeis dos Tribunais de Relação; os escritos das ordens religiosas; os manuais e tratados que abrangiam os sentidos da vida pública e privada etc. são alguns exemplos da maciça produção escrita do período moderno.

Analisar estas fontes por meio da perspectiva da História Social da Cultura Escrita permite evidenciar a estreita relação entre o processo produtivo e a divulgação da informação e o que definimos como "os saberes e os poderes no universo ibérico", assim como a vinculação que se estabeleceu entre eles e a sustentação do poder monárquico ibérico, que aparece na formação de locus de cultura, de saber e de poder, tais como os reais arquivos e academias científicas. À luz dessas reflexões, pode-se ainda pensar o mundo colonial, a partir da expressão circulação planetária das coisas, proposta por Serge Gruzinski, uma vez que ela não apenas possibilitou a mobilidade das letras, como também promoveu nas quatro partes do mundo a difusão de informações e conhecimentos e o intercâmbio entre pessoas e culturas. Este dossiê objetiva, portanto, reunir e divulgar investigações que se dedicam a analisar a formação e a manutenção do mundo ibérico na Modernidade, considerando a escrita como objeto de análise e como fonte de informação histórica.


Organizadores:

Eliane Cristina Deckmann Fleck (Professora Titular da graduação e do Programa de Pós-graduação em História da Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS); 

Juliana Gesuelli Meirelles (Professora da Faculdade de História e Biblioteconomia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas - PUC-Campinas);

Mauro Dillmann (Professor Adjunto da graduação e do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal de Pelotas).

 

Chamada: 1º janeiro - 30 abril 2021

Publicação: setembro 2021.

 

A Revista Maracanan também recebe contribuições em fluxo contínuo que compõem regularmente todos os números publicados nas seções Artigos, Entrevistas, Resenhas, Traduções e Notas de Pesquisa.