Avaliação da qualidade proteica, peso de órgãos e comprimento da tíbia e animais experimentais alimentados com quinoa (Chenopodium, quinoa)

Eliane Maria Ribeiro, Juliana Márcia Macedo Lopes, Ivy Scorzi Cazelli Pires, Lucilene Soares Miranda, Vanessa Alves Ferreira, Iara Ribeiro, Letícia Aparecida Gonçalves

Resumo


Objetivo: O objetivo deste trabalho foi avaliar a qualidade proteica e os efeitos da ingestão da quinoa (Chenopodium quinoa) no peso do fígado, baço e comprimento da tíbia de animais experimentais. Método: Para análise da qualidade proteica e eficácia alimentar, utilizou-se ensaio biológico de 28 dias e 18 ratos linhagem Wistar, calculando-se coeficiente de eficácia proteica (PER), razão proteica líquida (NPR), escore químico corrigido pela digestibilidade proteica (PDCAAS), utilização da proteína líquida (NPU), digestibilidade in vivo e coeficiente de eficácia alimentar (CEA) (AOAC). Resultados: Foram encontradas diferenças significativas entre valores de PER, NPR, NPU e CEA da quinoa (0,54; 2,58; 26,22 e 0,05, respectivamente) e da caseína (2,04; 3,84; 59,9; 0,2, respectivamente). Quanto à composição centesimal, foram encontrados valores de 11,31% de proteína, 11,28% de umidade, 2,04% de cinzas, 7,9% de lipídios e 67,47% de carboidratos. Não foram encontradas diferenças significativas entre valores de digestibilidade da caseína (96,93%) e quinoa (92,2%). O valor de PDCAAS encontrado para quinoa foi 0,97. Houve diferenças significativas em relação aos pesos dos órgãos, exceto o peso da tíbia, sendo que a caseína obteve maior peso. Conclusão: Os menores valores de PER, NPR, NPU e CEA demonstraram que a proteína da quinoa teve qualidade inferior à do leite, mas que os valores de digestibilidade e PDCAAS provam que ela apresenta boa qualidade proteica e perfil aminoacídico interessante, sendo necessários mais estudos para avaliar seu valor nutritivo.


Palavras-chave


Chenopodium quinoa. Qualidade proteica. Digestibilidade.

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DOI: https://doi.org/10.12957/demetra.2022.56992

e-ISSN: 2238-913X


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