ENTRE CENTRALIDADES, SUBÚRBIOS E SUBCENTROS:
distribuição das salas de cinema e a urbanização da cidade do Rio de Janeiro (1905–1984)
DOI:
https://doi.org/10.12957/geouerj.2026.98196Palavras-chave:
salas de cinema, urbanização, Rio de Janeiro, centralidade, indústria criativaResumo
Este artigo analisa a distribuição espacial das salas de cinema no Rio de Janeiro entre 1905 e 1984 como expressão do processo histórico de produção desigual do espaço urbano carioca. Partindo da compreensão do cinema como integrante da indústria criativa e como agente do processo social de produção do espaço, o trabalho articula a geografia das salas de exibição à dinâmica de formação de centralidades, subúrbios e subcentros na cidade. A pesquisa baseia-se no levantamento de dados realizado a partir das obras de Alice Gonzaga (1996) e Raquel de Sousa (2014), sistematizados em dois recortes temporais e representados por mapeamentos de densidade. No primeiro período, entre 1905 e 1934, evidencia-se a forte concentração das salas no Centro, reforçando a centralidade econômica, simbólica e cultural dessa área, com destaque para a Avenida Rio Branco e a Cinelândia. No segundo período, entre 1935 e 1984, os cinemas acompanham a expansão do tecido urbano em direção aos subúrbios e à formação de novos subcentros, com destaque para Madureira, Tijuca e Copacabana, num movimento que anuncia a lógica policêntrica característica da formação metropolitana do Rio de Janeiro e o processo denominado de metropolização do espaço. Em ambos os períodos, a localização das salas revela padrões de fragmentação, hierarquização e diferenciação socioespacial que atravessam a urbanização carioca, confirmando que os equipamentos cinematográficos não apenas refletem, mas participam ativamente da produção do espaço urbano.
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