A pobreza rural no Estado do Rio de Janeiro (2023)
DOI:
https://doi.org/10.12957/cdf.2025.91218Palavras-chave:
Linha de Pobreza, Linha de Indigência, Pobreza Rural, Desenvolvimento Territorial Rural, Rio de JaneiroResumo
A erradicação da pobreza extrema perpassa todas as pessoas, em todos os lugares. O seu processo de redução é uma agenda fundamental tanto no que diz respeito a esfera nacional como também a importantes agendas internacionais, como é o caso da Agenda 2030 em que a primeira meta do 1º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, a meta 1.1, prevê até 2030, erradicar a pobreza extrema para todas as pessoas em todos os lugares, atualmente medida como pessoas vivendo com menos de US$ 1,25 por dia. Tendo em vista, que a pobreza é, em geral, mais intensa entre habitantes do meio rural do que no meio urbano, este artigo tem como objetivo analisar o nível de pobreza rural no Estado do Rio de Janeiro, caracterizando o perfil socioeconômico desta população. Para tanto foram utilizados os microdados da PnadC (2023) e adotados os seguintes parâmetros: (i) renda domiciliar per capita inferior a R$ 208,42, para a linha de extrema pobreza e (ii) renda domiciliar igual ou maior a R$ 208,42 e inferior a R$ 664,02, para a linha de pobreza. Estimou-se uma população indigente de 17.473 e uma população pobre de 109.797 habitantes e taxas de indigência e de pobreza iguais a 3,9% e 24,3%, respectivamente, sendo a pobreza rural mais intensa na RMRJ, comparativamente ao interior do Estado. Além disso, os resultados apontam que no ERJ a pobreza rural é seletiva por sexo, idade, cor/raça e por nível de escolaridade. E as análises realizadas neste artigo, sugerem que o rompimento do ciclo vicioso da pobreza rural depende fortemente de políticas para o desenvolvimento territorial rural, dentre as quais se destacam as políticas educacionais.
Downloads
Referências
ALENTEJANO, P. A evolução do espaço agrário fluminense. Geographia, Niterói, v. 7, n. 1, p. 49-70, abr. 2005.
BRITO, F. Urbanização, metropolização e mobilidade espacial da população: um breve ensaio além dos números. Centro de Planejamento e Desenvolvimento Regional-Brasília–Brasil, 2007.
BUAINAIN, A. et al. A nova cara da pobreza rural: desafios para as políticas públicas. Série Desenvolvimento Rural Sustentável, v. 16, p. 121-159, 2012.
CAMARANO, A.; ABRAMOVAY, R. Êxodo rural, envelhecimento e masculinização no Brasil: panorama dos últimos 50 anos. 1999.
CANO, W. A desindustrialização no Brasil. Economia e Sociedade, v. 21, n. spe, p. 831–851, dez. 2012.
CRESPO, A.; GUROVITZ, E. A pobreza como um fenômeno multidimensional. Rae Eletrônica, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 1-12, jul. 2002.
DE SOUZA, P. et al. Análise regional da produção agropecuária do Rio de Janeiro, considerando-se os segmentos familiar e não familiar. Estudos Sociedade e Agricultura, v. 27, n. 3, p. 645-670, 2019.
FERRARINI, A. Pobreza: a possibilidade de construção de políticas emancipatórias. 2007. 196 f. Tese (Doutorado) - Curso de Sociologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007.
HAGENAARS, A; DE VOS, K. The definition and measurement of poverty. The Journal of Human Resources, Wisconsin, v. 23, nº.2, p. 211-221, Spring, 1988.
HAUGHTON, J.; KHANDKER, S. Handbook on poverty and inequality. Washington: The World Bank, 2009.
HELFAND, S.; PEREIRA, V. Determinantes da pobreza rural e implicações para as políticas públicas no Brasil. In: MIRANDA, C.; Tiburcio, B. (orgs.). A nova cara da pobreza rural: desafios para as políticas públicas. Brasília: IICA, 2012.
IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 1950/2010. Até 1991, dados extraídos de Estatísticas do Século XX, Rio de Janeiro: IBGE, 2007 no Anuário Estatístico do Brasil, vol. 53, 1993.
IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa nacional por amostra de domicílios contínua. 2018.
IFAD. #FAFO 2014 – Farmers’ Forum at IFAD eyes rural development from the grassroots. IFAD Social Reporting Blog.
KROLL-SMITH, S. Cidadania, Estado e vulnerabilidade: um estudo comparado sobre a recuperação de catástrofe. In: MENDES, J.; ARAÚJO, P. (Org.). Os lugares (im)possíveis da cidadania. Estado e Risco num mundo globalizador. Almedina/CES, 2012.
LIMA, A. Modelagem de equações estruturais: uma contribuição metodológica para o estudo da pobreza. 2005. 286 f. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2005.
LIMA, A. Mensuração da pobreza: uma reflexão sobre a necessidade de articulação de diferentes indicadores. Caderno CRH, Salvador, v. 17, nº. 40, p. 129-141 jan./abr. 2004.
MARAFON, G. et al. Temas em Geografia Rural. Rio de Janeiro: Eduerj, 2020.
MARAFON, G. Quais mudanças em curso no campo fluminense? Geo Uerj, [S.L.], v. 1, n. 31, p. 356-370, 30 dez. 2017a.
MARAFON, G. Transformações no espaço rural fluminense: o papel da agricultura familiar e das atividades turísticas. In: MARAFON, G.J., and. RIBEIRO, M.A. orgs. Revisitando o território fluminense, VI [online]. Rio de Janeiro: EDUERJ, 2017
MELLO, J. Estratégias de superação da pobreza no Brasil e impactos no meio rural – Rio de Janeiro: IPEA, 2018.
NEY, M. HOFFMANN, R. Educação, concentração fundiária e desigualdade de rendimentos no meio rural brasileiro. Resr, Piracicaba, v. 47, p. 142-182, jan. 2009.
OCTAVIANO, C. Muito além da tecnologia: os impactos da Revolução Verde. ComCiência, n. 120, p. 0-0, 2010.
OLIVEIRA, A. Modo de Produção Capitalista, Agricultura e Reforma Agrária. São Paulo: FFLCH, 2007.
ROCHA, S. Pobreza no Brasil: afinal, de que se trata? Rio de Janeiro: FGV, 2006.
ROCHA, S. Pobreza e indigência no Brasil: algumas evidências empíricas com base na PNAD 2004. Nova Economia, Belo Horizonte, p. 265-299, ago. 2006.
ROWNTREE, B. Poverty and progress: a second social survey of York. London: Longmans, Green, 1941.
SALAMA, P.; DESTREMAU, B. O tamanho da pobreza. Economia política da distribuição de renda. Rio de Janeiro: Garamond, 1999.
SAWAYA, A. et. al. Os dois Brasis: quem são, onde estão e como vivem os pobres brasileiros. Estud. Av. [online]. 2003.
SCHWARTZMAN, S. As causas da pobreza. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007.
SEN, A. Desenvolvimento como liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
SERRA, A. Pobreza Multidimensional no Brasil Rural e Urbano. 2017. 161 f. Tese (Doutorado) - Instituto de Economia, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2017.
SOARES, W. L. et al. A Pnad Contínua, estatísticas e análises do domicílio agrícola: uma abordagem sobre o bem-estar das famílias dos produtores. In: Anais do 60º Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (SOBER). Natal (RN) UFRN, 2022.
SOUZA, R. O Desenvolvimento Rural no Estado do Rio de Janeiro a partir de Uma Análise Multidimensional. Revista de Economia e Sociologia Rural, [S.L.], v. 57, n. 1, p. 109-126, jan. 2019.
TOWNSEND, P. The International Analysis of Poverty. Harvester Wheatsheaf, 1993.
UNITED NATIONS. Acabar com a Pobreza. Disponível em: https://www.un.org/en/global-issues/ending-poverty. Acesso em: 04 abril 2025.
VAHDAT, V.; FAVARETO, A. FAVARÃO, C. Uso de evidências em iniciativas de inclusão produtiva rural. Revista Brasileira de Avaliação, 12, 2023. WORLD DATA LAB. 2021. Disponível em: https://www.brookings.edu/blog/future- development/2020/02/21/to-move-theneedle-on-ending-extreme-poverty-focus-on- rural-areas. Acesso em: 31 mar. 2025.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Joseane Souza, Georgia Maria Mangueira de Almeida, Laila de Souza Gomes Pessanha, William dos Santos Melo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os Direitos Autorais dos artigos publicados na revista Cadernos do Desenvolvimento Fluminense pertencem ao(s) seu(s) respectivo(s) autor(es), com os direitos de primeira publicação cedidos à Cadernos do Desenvolvimento Fluminense, com o trabalho simultaneamente licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição, a qual permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
O(s) autor(es) tem/têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado.

A revista Cadernos do Desenvolvimento Fluminense está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

