Dunas digitais
parametrizando bioscaffolds costeiros através da lógica de crescimento do Jundu
DOI:
https://doi.org/10.12957/arcosdesign.2026.96937Palavras-chave:
Design regenerativo, L-Systems, dunas artificiais, bioreceptividade, JunduResumo
Diante da emergência climática e da aceleração da erosão costeira, as soluções tradicionais de engenharia rígida têm se mostrado insuficientes e ecologicamente desconectadas. Este artigo propõe uma abordagem de design regenerativo que une a morfogênese digital à sabedoria ecológica das espécies nativas, alinhando-se à temática de "semear futuros". O trabalho apresenta o desenvolvimento de "bio-scaffolds" costeiros — dunas artificiais projetadas não apenas como barreiras físicas, mas como infraestruturas bioreceptivas destinadas à colonização pelo Jundu (vegetação psamófila). A metodologia emprega algoritmos de L-Systems (Sistemas-L) para simular a lógica de crescimento e enraizamento dessa vegetação, traduzindo parâmetros biológicos de propagação e fixação de areia em geometria computacional. O resultado são protótipos de estruturas porosas, fabricadas digitalmente, cuja morfologia foi otimizada para capturar sedimentos e oferecer nichos de proteção para o estabelecimento da flora nativa. Ao hibridizar o design paramétrico com processos naturais, o estudo demonstra como o design pode atuar como agente de cura da paisagem, transformando a infraestrutura técnica em uma experiência regenerativa do cotidiano costeiro.
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