Corpos que tocam dados

design da informação multissensorial como gesto artístico, crítico e político

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/arcosdesign.2026.93872

Palavras-chave:

Ativismo estético, Acessibilidade comunicacional, Design da informação, Multissensorialidade, Visualização de dados

Resumo

Este artigo analisa a instalação Dataviz tátil-sonora: Cartografias sensíveis dos museus fluminenses, derivada de um levantamento sobre acessibilidade comunicacional para pessoas cegas em museus do Rio de Janeiro em um estudo anterior. A pesquisa parte da análise de uso desigual do território e necropolítica cultural, traduzindo dados em experiência tátil-sonora e multimodal. A metodologia combina tradução material, sensorial e estética-política, articulando design, arte e ativismo. Os resultados indicam que a fisicalização dos dados permite experienciar desigualdades como ausência tátil e sonora, expandindo o design da informação também como uma prática crítica e artística. Conclui-se que a instalação atua como uma contracartografia, de  caráter subversivo, denunciando apagamentos e abrindo espaço para futuros mais otimistas. Reconhece-se, contudo, seu caráter experimental e simbólico, sugerindo desdobramentos em co-design com pessoas cegas e aplicação em outros contextos culturais.

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Biografia do Autor

Igor Affonso, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Mestrando em Design na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com pesquisa na linha de Design e Cultura. Bacharel em Desenho Industrial - Projeto de Produto pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e licenciado em Ciências Biológicas pela Universidade do Grande Rio (UNIGRANRIO).
Possui experiência acadêmica e profissional em ensino e gestão educacional, tendo atuado como professor e coordenador pedagógico no Pré-Vestibular +Nós. Foi diretor de Conteúdo e Comunicação na Inspira Design (UFF), além de monitor e bolsista de pesquisa na disciplina Projeto de Design 2 e nos laboratórios LAB Design, LAB Linha, LID e LAB Doc. É fundador do Co.Lab Design, estúdio dedicado ao desenvolvimento de projetos que articulam cultura e educação e autor do livro "História em Imagem: Caxias para Colorir", uma publicação sobre a história e cultura de Duque de Caxias contada por meio de seus elementos iconográficos. Atualmente se dedica à pesquisa sobre a interseção entre Design, Artes Visuais e Tecnologia Assistiva. Paralelamente, atua como designer freelancer em projetos de design gráfico, ilustração, design de produto e produção e organização de eventos.

Julie de Araujo Pires, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Possui graduação em Desenho Industrial /Habilitação Programação Visual pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1998), Mestrado em Design pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2005) e Doutorado em História da Arte pela Escola de Belas Artes - UFRJ (2010). Em 2006 e 2007 atuou como professora substituta da Universidade Federal do Rio de Janeiro. De 2009 a 2011 lecionou no curso de Design da PUC-Rio. Atualmente é Professora Associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde leciona no Mestrado em Design do PPGDesign EBA UFRJ e no curso de graduação em Comunicação Visual Design. Tem experiência nas áreas de Design e Artes, com ênfase em Design Visual.

Referências

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Publicado

08-01-2026

Como Citar

AFFONSO, Igor; DE ARAUJO PIRES, Julie. Corpos que tocam dados: design da informação multissensorial como gesto artístico, crítico e político. Arcos Design, Rio de Janeiro, v. 19, n. 1, 2026. DOI: 10.12957/arcosdesign.2026.93872. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/arcosdesign/article/view/93872. Acesso em: 8 fev. 2026.

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