LITERATURA DECADENTE E PESSIMISMO CULTURAL: A FRANÇA FIN-DE-SIÈCLE NOS CONTOS DE LÉON BLOY
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Abstract
Este artigo tem como objetivo principal analisar como a literatura decadente francesa se relacionou com a noção de pessimismo cultural, conforme formulada pelo historiador Arthur Herman (2001). Partimos da hipótese de que a visão negativa dos autores da ficção fin-de-siècle sobre a modernidade ocidental — industrializada, materialista e secular — se expressou em narrativas repletas de figuras perversas e repugnantes. Na primeira parte do trabalho, valemo-nos dos estudos de Mastroianni e Gilbert (2023), Michel Winock (2017), Antoine Compagnon (2011) e Eugen Weber (1988) para apresentar como a percepção de decadência da sociedade se configura como um viés psicológico e se constituiu como uma tradição intelectual. Em seguida, como estudo de caso, analisamos parte da contística de Léon Bloy (1846-1917), em especial os textos publicados no volume Histoires Désobligeantes (1894). Nessas narrativas, o progresso tecnológico, a secularização, o culto ao dinheiro, a hipocrisia social e o sensacionalismo da imprensa são retratados, na esteira do pessimismo cultural, como elementos monstruosos e repulsivos, supostamente responsáveis por uma degeneração coletiva.
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