DO SOBRENATURAL COMO UMA FIGURA DE LINGUAGEM

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Fábio Lucas Pierini

Resumo

Um dos grandes desafios de se estudar a narrativa fantástica é lidar com sua relação com o sobrenatural. Embora tenhamos várias definições dicionarizadas, elas esbarram sempre no mesmo imbróglio quando da análise de um texto literário: se numa narrativa de ficção tudo é possível, por que há narrativas em que certos elementos são incluídos em sua trama para serem apontados como incongruentes ao modelo de real adotado pelo texto em si? Não bastaria apenas contar a história sem lembrar ao leitor de que aquilo contraria suas expectativas intuitivas do que é ou não possível no mundo real? Acontece que o que é real para uma cultura ou sociedade não o é para outra e uma narrativa tida como fantástica para uma delas, para a outra pode ser considerada banal, senão herética. Por essa razão, é preciso termos um conceito de sobrenatural que supere aquele fundamentado exclusivamente na visão científica do mundo e permita que todo evento que supere física, mental ou tecnologicamente a capacidade humana de ação sobre o real, seja ele latente ou patente, concreto ou abstrato, seja o mais universal possível do ponto de vista textual ou discursivo, ficcional ou não. Por essa razão é que pretendemos demonstrar que o sobrenatural é, na verdade, uma figura de linguagem metonímica que torna concebível aquilo que está indisponível (seja porque está ausente, seja porque só é possível por meio da linguagem), pois apresenta o fenômeno (verificável ou não) no lugar da causa (real ou imaginária). A causa será criativa e original, resultante de uma elaboração fundamentada no pensamento abdutivo.

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Como Citar
PIERINI, Fábio Lucas. DO SOBRENATURAL COMO UMA FIGURA DE LINGUAGEM. Abusões, Rio de Janeiro, n. 27, 2025. DOI: 10.12957/abusoes.2025.95735. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/abusoes/article/view/95735. Acesso em: 14 fev. 2026.
Seção
10 ANOS DE ABUSÕES