ENTRE O ENCANTAMENTO E A EXCLUSÃO: VIOLÊNCIA SIMBÓLICA E INTERSECCIONALIDADE NAS NARRATIVAS DE MONTEIRO LOBATO
Palavras-chave:
Literatura infantojuvenil, Racismo estrutural, Violência simbólicaResumo
Este estudo realiza uma análise discursiva das representações raciais nas obras Viagem ao Céu (1962), O Saci (1962) e Histórias da Tia Nastácia (1962), de Monteiro Lobato, sob a perspectiva da colonialidade e da violência simbólica. As narrativas constroem estereótipos que inferiorizam personagens negros e naturalizam hierarquias de poder. Com base em Bourdieu (poder simbólico), Foucault (discurso), Crenshaw (interseccionalidade), Grosfoguel e Mignolo (colonialidade do saber), identifica-se a atuação do racismo estrutural por meio de microagressões, pejoração linguística e discursos de dominação. Além das agressões explícitas, as obras operam por mecanismos sutis que reforçam a desumanização de sujeitos racializados. Defende-se que o enfrentamento dessas representações exige leitura crítica, capaz de desnaturalizar a lógica colonial ainda presente na literatura infantil brasileira e favorecer a formação de leitores conscientes.
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