Ressonâncias arcádicas ovidianas e virgilianas em Cláudio Manuel da Costa
DOI:
https://doi.org/10.12957/principia.2025.94835Parole chiave:
Arcádias greco-latinas, Ovídio e Virgílio, Literatura brasileira, Arcadismo, Cláudio Manuel da CostaAbstract
Cláudio Manuel da Costa que, por convenção literária, já foi considerado o principal representante do Arcadismo luso-brasileiro declara, no “Prólogo” das Obras (1768), sua predileção ao estilo simples de tradição greco-latina. A partir de tal declaração, investiga-se, no poeta marianense, a alusão ao gênero pastoril e ao anseio harmonioso da Arcádia, sobretudo no que se refere à inspiração das Musas ovidianas e virgilianas. No entanto, percebe-se um conflito entre amenidade e dilaceramento, no pastor Glauceste Satúrnio, cujo sentimento remete ao pranto do poeta sulmonense desterrado. O pressuposto se estabelece por meio de uma relação intertextual e é pautado na constatação da presença de uma metamorfose arcádica, no poeta mineiro. O cantor de Vila Rica se autodenomina um “peregrino” na própria pátria ao passo que também busca estabelecer uma Arcádia, na Província das Minas Gerais, enquanto aspira por desenvolvimento de seu berço colonial. Sendo assim, torna-se mais plausível a recepção dos poetas da Antiguidade, pelo árcade luso-brasileiro, considerando as reverberações do ideal harmônico arcádico, além do topos do exílio atrelado aos aspectos de dualidade.
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