Quem olha a lua de outono?: gênero e performatividade nas traduções de Lamentos nos degraus de jade, de Li Bai
DOI:
https://doi.org/10.12957/palimpsesto.2026.93099Palavras-chave:
teoria queer, Li Bai, poesia clássica chinesa, tradução poética, Lamentos nos degraus de jade.Resumo
A partir da análise de traduções diretas e indiretas para o português do poema chinês Lamentos nos degraus de jade, de Li Bai (701-762), este artigo investiga a produção tradutória de uma leitura feminilizada do/a protagonista. Questionam-se escolhas textuais e paratextuais dos/as tradutores/as em cotejo com o texto original, no qual não há marcações morfossintáticas explícitas de gênero. A análise observa como diferentes traduções preservam, restringem ou deslocam essa indeterminação. Argumenta-se que a recorrente feminilização do/a protagonista, associada à tradição interpretativa da mulher solitária, participa da reiteração de papéis sociais de gênero e de expectativas heteronormativas. O artigo busca compreender as consequências críticas e políticas da transformação de uma possibilidade de leitura em evidência textual ou paratextual.
Downloads
Referências
ABREU, António Graça de. Das traduções de um poema de Li Bai. Revista de Cultura, n. 3, out., nov., dez. 1987.
AUSTIN, J. L. Quando dizer é fazer: palavras e ação. Tradução de Danilo Marcondes de Souza Filho. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990.
BAER, Brian James; KAINDL, Klaus. Introduction: queer(ing) Translation. In: BAER, Brian James; KAINDL, Klaus (org.). Queering Translation, Translating the Queer: Theory, Practice, Activism. London; New York: Routledge, 2018. p. 1-10.
BARRETO, Cristiano Mahaut de Barros. Lamento nas escadas de jade: uma nova tradução para o português. Tradução & Comunicação: Revista Brasileira de Tradutores, n. 23, p. 117-136, 2011.
BORGES, Jorge Luis. As versões homéricas. In: Obras completas. Tradução de Josely Vianna Baptista. São Paulo: Globo, 1988, p. 255-260.
BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Tradução: Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003 [1990].
CAI, Zong-qi. How to read Chinese poetry: a guided anthology. Nova York: Columbia University Press, 2008.
CAMPOS, Haroldo de. A quadratura do círculo. In: CAMPOS, Haroldo de. A arte no horizonte do provável. 4ª edição. São Paulo: Perspectiva, 1977 [1969]. p. 89-105.
CAMPOS, Haroldo de. Escritos sobre jade: poesia clássica chinesa / reimaginada por Haroldo de Campos a partir dos ideogramas originais. 2ª edição. São Paulo: Ateliê Editorial, 2009 [1998].
CAPPARELLI, Sérgio; SUN, Yuqi. Poemas clássicos chineses: Li Bai, Du Fu, Wang Wei. Porto Alegre: L&PM, 2012.
CARVALHO, Danniel da Silva. As genitálias da gramática. Revista Abralin, v. 19, n. 1, p. 1-21, nov. 2020.
CARVALHO, Danniel da Silva. Sobre a domesticação do gênero gramatical. Trabalhos em linguística aplicada, v. 60, n. 1, p. 148-167, jan./abr. 2021.
CARVALHO, Gil de. Uma antologia de poesia chinesa. Lisboa: Assírio & Alvim, 1989.
COOPER, Arthur. Li Po and Tu Fu poems. Illustrated edition. Londres: Penguin Books, 2015 [1973].
COSTA, Vinicius Dias. Um outro lamento nos degraus de jade: a poesia de Li Bai em tradução. 149f. Dissertação (Mestrado em Linguagem, Sentido e Tradução) – Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2024.
CUNHA, Gualter. Cathay, de Ezra Pound. Lisboa: Relógio D'Água, 1995.
FEIJÓ, António. Cancioneiro chinês. 2ª edição. Lisboa: Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 1903 [1890].
FLORES, Guilherme Gontijo; GONÇALVES, Rodrigo Tadeu. Formas de escada de jade. In: Algo infiel: corpo, performance, tradução. Florianópolis: Cultura e Barbárie, 2017, p. 143-154.
GAUTIER, Judith. Le livre de jade. Paris: Alphonse Lemerre Editeur, 1867.
GENETTE, Gérard. Paratextos editoriais. Tradução de Álvaro Faleiros. Cotia: Ateliê Editorial, 2009.
JATOBÁ, Júlio Reis. Poéticas do traduzir a, na e para a China: uma proposta. Cadernos de Tradução, [S. l.], v. 39, n. esp, p. 120–147, 2019.
JIN, Ha. The banished immortal: A Life of Li Bai (Li Po). E-book edition. Nova York: Pantheon, 2019.
KILOMBA, Grada. Memórias da plantação. Episódios de racismo cotidianos. Tradução de Jess Oliveira. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.
LEWIS, Elizabeth Sara. Teoria(s) queer e performatividade: mudança social na matriz heteronormativa. In: MACEDO, Elizabeth; RANNIERY, Thiago (Org.). Currículo, sexualidade e ação docente. Petrópolis: DP et alii, 2017, p. 157-186.
MIN, Xuefei. Cem anos de literatura brasileira traduzida na China. Cadernos de Tradução, [S. l.], v. 45, n. esp. 3, p. 1–19, 2025.
PORTUGAL, Ricardo Primo. Por uma literalidade aplicável à tradução de poesia clássica chinesa. Cadernos de Tradução, [S. l.], v. 45, n. esp. 3, p. 1–22, 2025.
PORTUGAL, Ricardo Primo; XIAO, Tan. Antologia da poesia clássica chinesa: Dinastia Tang. 2ª edição. São Paulo: Editora UNESP, 2019 [2013].
POUND, Ezra. Cathay. London: Elkin Mathews, 1915.
RICH, Adrienne. Heterossexualidade compulsória e existência lésbica. Tradução de Carlos Guilherme do Vale. Bagoas, n. 5, p. 17-44, 2010.
SANTAEMILIA, José. Sexuality and translation as intimate partners? Toward a queer turn in rewriting identities and desires. In: BAER, Brian James; KAINDL, Klaus (org.). Queering Translation, Translating the Queer: Theory, Practice, Activism. New York: Routledge, 2018. p. 11-25.
SINEDINO, Giorgio. Textual shifts e equivalência entre poéticas: Os cancioneiros e o clássico dos poemas comparados. Cadernos de Tradução, [S. l.], v. 45, n. esp. 3, p. 1–23, 2025.
XIANG, Zairong. Antigos caminhos queer: uma exploração decolonial. Tradução de Paula Faro & Gil Vicente Lourenção. São Paulo: n-1 edições, 2024.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
A revista Palimpsesto publica artigos e resenhas inéditos, referentes as áreas de Letras e Linguística. Publica volumes mistos e/ou temáticos, com artigos e resenhas em português, inglês, espanhol e francês.
Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution, que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.

Palimpsesto utiliza uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.




