Protagonismo negro no cinema: entre a estereotipia e as estratégias comerciais
DOI:
https://doi.org/10.12957/palimpsesto.2026.92154Keywords:
Análise de Discurso Materialista, cinema, protagonismo negro, A Pequena Sereia, capitalismo.Abstract
Filiados à Análise de Discurso Materialista enquanto dispositivo teórico-metodológico, analisamos um comentário online acerca do protagonismo negro na adaptação fílmica A Pequena Sereia (2023). Nosso objetivo é compreender como o cinema contribui com a (des)naturalização de sentidos sobre o sujeito negro. Para tanto, discutimos sobre como o racismo por denegação (Gonzalez, 1988) é um efeito ideológico (Althusser, 2022 [1970]) cujas práticas materiais que lhe dão sustentação produzem as evidências de uma suposta democracia racial e da naturalização da inferioridade do negro em relação ao branco. Como resultado da análise, concluímos que os sentidos positivados de/sobre os sujeitos negros não serão produzidos fora da ideologia dominante – o capitalismo –, mas contra ela (Pêcheux, 1990 [1982]; Modesto, 2016).
Downloads
References
ALMEIDA, Silvio. Racismo estrutural. São Paulo: Pólen, 2019.
ALTHUSSER, Louis. Aparelhos ideológicos de Estado. Tradução de Walter Evangelista e Maria de Castro. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2022 [1970].
A PEQUENA SEREIA. Direção: Rob Marshall. Produção: Walt Disney Pictures. Roteiro: David Magee. Elenco: Halle Bailey, Jonah Hauer-King, Melissa McCarthy, Javier Bardem. Estados Unidos: Walt Disney Studios Motion Pictures, 2023. 135 min.
BENTO, Cida. O pacto da branquitude. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.
CARNEIRO, Sueli. Dispositivo da racialidade: a construção do outro como não ser como fundamento do ser. Rio de Janeiro: Zahar, 2023.
CARNEIRO, Sueli. Movimento Negro no Brasil: novos e velhos desafios. Caderno CRH, Salvador, v. 15, n. 36, p. 209-215, 2002. DOI: https://doi.org/10.9771/ccrh.v15i36.18633.
CARVALHO, Noel dos Santos. Imagens do negro no cinema brasileiro: o período das chanchadas. Cambiassu: Estudos em Comunicação, São Luís, v. 8, n. 11, p. 81-94, 2022. Disponível em: https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/cambiassu/article/view/18484. Acesso em: 15 abr. 2025.
CARVALHO, Noel dos Santos. O negro no cinema brasileiro: O período silencioso. Plural, São Paulo, v. 10, p. 155-179, 2003. DOI: 10.11606/issn.2176-8099.pcso.2003.68073
DEL PRIORE, Mary. Sobreviventes e guerreiras: uma breve história da mulher no Brasil de 1500 a 2000. São Paulo: Planeta, 2020.
GONZALEZ, Lélia. A categoria político-cultural de amefricanidade. In: Tempo Brasileiro. Rio de Janeiro, n. 92-93, 1988, p. 69-82.
GONZALEZ, Lelia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. Revista Ciências Sociais Hoje, Anpocs, São Paulo, p. 223-244, 1984. Disponível em: https://bds.unb.br/handle/123456789/1141. Acesso em: 02 fev. 2025.
HASENBALG, Carlos. O negro na publicidade. In: GONZALEZ, Lelia; HASENBALG, Carlos. Lugar de negro. Rio de Janeiro: Zahar, 2022. p. 123-135.
HOOKS, bell. Cinema vivido: raça, classe e sexo nas telas. Tradução de Natalia Engler. São Paulo: Elefante, 2023.
HOOKS, bell. E eu não sou uma mulher? Mulheres negras e feminismo. Tradução de Bhuvi Libanio. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2020.
HOOKS, bell. Olhares negros: raça e representação. Tradução de Sthepanie Borges. São Paulo: Elefante, 2019.
IBGE. Pessoas pretas e pardas continuam com menor acesso a emprego, educação, segurança e saneamento. Agência de Notícias do IBGE, 11 nov. 2022. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/35467-pessoas-pretas-e-pardas-continuam-com-menor-acesso-a-emprego-educacao-seguranca-e-saneamento. Acesso em: 2 maio 2025.
JEFERSON DE. Dogma feijoada: o cinema negro brasileiro. São Paulo: Cultura – Fundação Padre Anchieta, 2005.
KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Tradução de Jess Oliveira. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.
LAGAZZI, Suzy. O desafio de dizer não. Campinas: Pontes, 1988.
MEMMI. Albert. Retrato do colonizado precedido de Retrado do colonizador. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2023 [1957].
MODESTO, Rogério. Os discursos racializados. Revista da Abralin, [S. l.], v. 20, n. 2, p. 1-19, 2021. DOI: doi.org/10.25189/rabralin.v20i2.1851.
MODESTO, Rogério. Uma outra cidade? A resistência possível e o efeito de resistência: uma proposta. Fórum Linguístico, Florianópolis, v. 13, n. 1, p. 1083-1093, 2016. DOI: https://doi.org/10.5007/1984-8412.2016v13n1p1083.
MOURA, Clóvis. História do negro brasileiro. São Paulo: Ática, 1992.
NASCIMENTO, Abdias. Genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. São Paulo: Perspectivas, 2016.
ORLANDI, Eni. Discurso e Texto: formulação e circulação dos sentidos. 5. ed. Campinas: Pontes, 2022.
PÊCHEUX, Michel. Delimitações, inversões, deslocamentos. Caderno de estudos linguísticos, Campinas, Unicamp, n. 19, p. 07-24, 1990 [1982].
PÊCHEUX, Michel. O discurso: estrutura ou acontecimento. Tradução de Eni Orlandi. 5. ed. Campinas: Pontes Editores, 2008 [1983].
PÊCHEUX, Michel. Remontemos de Foucault à Spinoza. In: BARONAS, Roberto Leiser (Org.). Análise de Discurso: apontamentos para uma história da noção-conceito de formação discursiva. Araraquara: Letraria, 2020 [1977]. p. 40-57.
RAMOS, Guerreiro. Introdução crítica à sociologia brasileira. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1995 [1957].
SARTI, Milena Maria; CHIARETTI, Paula. O lugar da paráfrase no trabalho do analista do discurso. Revista Investigações, [S. l.], v. 29, n. 2, p. 69-89, 2016. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/INV/article/view/1551. Acesso em: 5 jan. 2026.
STAM, Robert. Multiculturalismo Tropical: uma história comparativa da raça na cultura e no cinema brasileiros. Tradução de Fernando Vugman. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2008.
Downloads
Published
How to Cite
Issue
Section
License
Palimpsesto journal publishes original articles and reviews in the field of Literature, Language and Linguistics. We also publish mixed and/or thematic issues, with articles and reviews in Portuguese, English, Spanish, and French.
Authors retain copyright and grant the journal the right of its first publication, with the work simultaneously licensed under Creative Commons Attributions License, which allows sharing of the work with an acknowledgement of authorship and initial publication in this journal.

Palimpsesto uses a Creative Commons - Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional license.




