Corpo e discurso: a escrita da maternidade em A filha primitiva, de Vanessa Passos

Authors

DOI:

https://doi.org/10.12957/palimpsesto.2026.90265

Keywords:

maternidade, narrativa, crítica feminista negra, ancestralidade.

Abstract

This article examines The Primitive Daughter by Vanessa Passos, highlighting how the author’s writing addresses issues of motherhood, identity, and ancestry through a feminist critical lens. The protagonist, identified merely as “mother”, embarks on a journey of self-discovery and resistance to the patriarchal system that seeks to silence and define women. Motherhood is portrayed in an ambiguous light, serving as both a space of subjugation and reinvention. The absence of proper names for the characters symbolizes the loss of identity for black women, whose histories and ancestries are often erased. Structural and symbolic violence against black women runs throughout the work, with writing becoming a tool for resistance and the assertion of a new identity. The reflection on motherhood challenges the myth of maternal instinct, proposing a demystification of the traditional maternal role. In her quest for self-identity, the protagonist confronts societal expectations and, through writing, seeks to distance herself from the fate imposed upon her to reinvent her own existence.

Downloads

Download data is not yet available.

Author Biographies

Tiago Pereira da Silva, Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás)

Mestrando em Letras-Literatura e Crítica Literária, pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás - PUC Goiás; Pós-Graduação Certificate em Criatividade & Inovações Ecossistêmicas, ESPM - SP; Apoio: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES).

Elizete Albina Ferreira, Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás)

Doutora em Estudos Literários, pela Universidade Federal de Goiás - UFG, Docente e Vice-Coordenadora do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu: Mestrado e Doutorado em Letras da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (área de concentração: Literatura e Crítica Literária).

References

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Tradução de Renato Aguiar. 27. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2024.

BUTLER, Judith. Quadros de guerra: quando a vida é passível de luto?. 1. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015.

CIXOUS, Hélène. O riso da Medusa. Journal of women in culture and society, Chicago, v. 1, n. 4, p. 875-893, 1976.

COLLINS, Patrícia Hill; BILGE, Sirma. Interseccionalidade. 1. ed. Tradução Rane Souza. São Paulo: Boitempo, 2020.

COLLINS, Patricia Hill. Pensamento feminista negro. São Paulo: Boitempo, 2019.

EVARISTO, Conceição. Da representação à auto-apresentação da Mulher Negra na Literatura Brasileira. Palmares: cultura afro-brasileira, Brasília, n. 1, p. 52-57, 2005.

EVARISTO, Conceição. Literatura negra: uma poética de nossa afro-brasilidade. Scripta, Belo Horizonte, v. 13, n. 25, p. 17-31, 2009.

EVARISTO, Conceição. “A escrevivência e seus subtextos”. In: DUARTE, Constância Lima; NUNES, Isabella Rosado (org.). Escrevivência: a escrita de nós. Reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo. Rio de Janeiro: Mina Comunicação e Arte, 2020. p. 26-46.

GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.

HOOKS, Bell. O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras. 1. ed. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2018.

HOOKS, Bell. Teoria feminista: da margem ao centro. Tradução de Rainer Patriota. 1. ed. São Paulo: Perspectiva, 2019.

KILOMBA, Grada. Memórias de plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.

LORDE, Audre. Irmã Outsider: ensaios e conferências. 1. ed. 1. reimp. Belo Horizonte: Autêntica, 2019.

MACHADO, Maria Helena P. T. et al. Ventres livres?: gênero, maternidade e legislação. São Paulo: UNESP, 2021.

MACHADO, Maria Helena, P. T. et al. Geminiana e seus filhos: escravidão, maternidade e morte no Brasil do século XIX. 1. ed. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2024.

PASSOS, Vanessa. A filha primitiva. São Paulo: José Olympio, 2022.

ROTH, Cassia. A miscarriage of justice: women’s reproductive lives and the law in early twentieth-century Brazil. Stanford: Stanford University Press, 2020.

SANTOS, Rosa Maria Dias da Costa; ARAGÃO, Patrícia Cristina de. A epistemologia feminista negra: uma abordagem interseccional dos marcadores da opressão em contraposição ao feminismo hegemônico. Revista de estudos interdisciplinares, v. 5, n. 4, p. 416-428, 2023.

SCOTT, Joan Wallach. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & realidade. Tradução: Guacira Lopes Louro. Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 71-99, 1995.

TIMERMAN, Natalia. “As filhas primitivas”. Posfácio. In: PASSOS, Vanessa. A filha primitiva. São Paulo: José Olympio, 2022.

XAVIER, Elódia. Que corpo é esse?: o corpo no imaginário feminino. Rio de Janeiro: Oficina Raquel, 2021.

Published

2026-02-03

How to Cite

PEREIRA DA SILVA, Tiago; ALBINA FERREIRA, Elizete. Corpo e discurso: a escrita da maternidade em A filha primitiva, de Vanessa Passos. Palimpsesto - Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras da UERJ, Rio de Janeiro, v. 25, n. 50, p. 317–341, 2026. DOI: 10.12957/palimpsesto.2026.90265. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/palimpsesto/article/view/90265. Acesso em: 11 jun. 2026.

Issue

Section

Estudos de Literatura (Tema livre)