“Uma encruzilhada de civilizações e culturas”: as múltiplas subjetividades que constroem Angola em “Abel e Caim” e “Ngola Kiluanje”, de João Melo
DOI:
https://doi.org/10.12957/palimpsesto.2026.90152Palavras-chave:
multiculturalismo, Angola, literatura africana, João Melo.Resumo
É a partir de suas independências, no decorrer da década de 1970, que os sistemas literários dos países lusófonos africanos são perpassados por questões de apagamento e reescrita. Antes disso, as narrativas acerca desses países eram realizadas por escritores dos países que os colonizaram, o que muitas vezes demarcava um olhar que apagava a multiplicidade do povo africano. Este artigo examina os contos "Abel e Caim" e "Ngola Kiluanje" do livro Filhos da Pátria (2008), de João Melo. Entende-se que esses textos refletem a construção da identidade angolana, ressaltando a diversidade cultural e as subjetividades do país. A análise demonstra como a literatura angolana reafirma sua identidade nacional ao celebrar o multiculturalismo e resgatar aspectos de uma cultura pré-colonial. Através das contribuições teóricas de autores como Francisco Noa (2019), Fanon (2008), Ngũgĩ wa Thiong'o (2012) e Rita Chaves (2005), o artigo discute a heterogeneidade da literatura angolana e seu papel na elaboração de um passado marcado pelo colonialismo.
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