Espaços de memória: as ruínas e os silêncios em Relato de um certo oriente, de Milton Hatoum

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/palimpsesto.2026.85029

Palavras-chave:

Manaus, literatura brasileira contemporânea, memória, espaço, identidade.

Resumo

Este artigo busca analisar o romance Relato de um Certo Oriente, de Milton Hatoum. Partimos da hipótese de que esta narrativa é um romance de espaço (Reis, 2021), tipicamente pós-moderno (Hutcheon, 1991), que mobiliza os conteúdos referentes à elaboração narrativa da memória das personagens. Para isso, estudaremos, em função do espaço, os demais elementos estruturais da narrativa, de modo a refletir sobre os possíveis liames entre forma e conteúdo para comprovar nossa hipótese inicial. Grosso modo, constatamos que a degradação do espaço urbano na narrativa surge como efeito de uma insuficiência da memória e da linguagem, passando pela presença de tabus familiares que acabam criando silenciamentos. Isto posto, pretendemos ainda analisar o romance tendo em vista a Estética do Silêncio (Sontag, 2015) e suas implicações em uma poética da memória e da identidade.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Antônio Martins da Silva Júnior, Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Mestrando no Programa de Pós Graduação em Letras - Estudos Literários, da Universidade Estadual de Londrina (PPGL - UEL, 2023-2025), pós-graduado em Docência para o Ensino Superior (especialização: lato sensu, 2016), pela Universidade Norte do Paraná: Unopar-Pitágoras. É graduado em História (licenciatura, 2014), também pela supracitada Unopar-Pitágoras, e em Letras Vernáculas (2023), pela Universidade Estadual de Londrina.

Referências

BACHELARD, Gastón. A Poética do Espaço. Tradução de Antonio de Pádua Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 1993.

BENJAMIN, Walter. O Anjo da História. Tradução de João Barrento. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2018.

CANDAU, Joël. Memória e Identidade. Tradução de Maria Letícia Ferreira. 1 ed. São Paulo: Contexto, 2023.

CURY, Maria Zilda Ferreira. “De orientes e relatos”. In: SANTOS, Luís Alberto Brandão; PEREIRA, Maria Antonieta (Orgs.). Trocas culturais na América Latina. Belo Horizonte: Pós-Lit/FALE/UFMG; Nelam/FALE/UFMG, 2000. p.165-177.

HALBWACHS, Maurice. A Memória Coletiva. Tradução de Beatriz Sidou. São Paulo: Centauro, 2003.

HATOUM, Milton. Relato de um Certo Oriente. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

HUTCHEON, Linda. Poética do Pós-Modernismo. Tradução de Ricardo Cruz. Rio de Janeiro: Imago, 1991.

LEMOS, Vivian de Assis. Das ruínas à memória: a travessia familiar em Relato de um certo Oriente e Dois Irmãos. 2018. 149f. Tese (Doutorado em Letras) – Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", São José do Rio Preto, 2018.

MARQUES, Moama Lorena de Lacerda. “De cidades imaginárias a cidades flutuantes: imagens de Manaus em Relato de um certo oriente, de Milton Hatoum”. In: XII Congresso Internacional da ABRALIC. Curitiba, 2011. p. 1-10.

REIS, Carlos. Dicionário de Estudos Narrativos. Coimbra: Almedina, 2021.

SCHØLLHAMMER, Karl Erik. Ficção Brasileira Contemporânea. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009.

SONTAG, Susan. A Vontade Radical: estilos. Tradução de João Roberto Martins Filho. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

Downloads

Publicado

2026-02-03

Como Citar

SILVA JÚNIOR, Antônio Martins da. Espaços de memória: as ruínas e os silêncios em Relato de um certo oriente, de Milton Hatoum. Palimpsesto - Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras da UERJ, Rio de Janeiro, v. 25, n. 50, p. 123–139, 2026. DOI: 10.12957/palimpsesto.2026.85029. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/palimpsesto/article/view/85029. Acesso em: 4 fev. 2026.

Edição

Seção

Estudos de Literatura (Tema livre)