A (In)Conveniência da Cultura nas Relações Internacionais: Apontamentos para outra Epistemologia | The (In)Convenience of Culture in International Relations: notes toward another Epistemology
Palavras-chave:
Cultura, Relações Internacionais, EpistemologiaResumo
Este artigo reflete sobre a centralidade da cultura no campo das Relações Internacionais, demonstrando como ela é abordada por dois autores emblemáticos dos paradigmas dominantes da área, Samuel Huntington (1997) e Joseph Nye (2002). Essa discussão se vale das contribuições dos Estudos Culturais, da Antropologia e dos Estudos Linguísticos, a fim de problematizar o entendimento sobre cultura que se propagou nas Relações Internacionais, sobretudo a partir das primeiras décadas do século XXI. Parte-se do princípio de que a invisibilização da cultura nos debates epistemológicos encontra razão de ser em um deliberado apagamento de sua agência como força motriz nas disputas políticas e na construção/manutenção do status quo fundante da disciplina (Jahn, 2004). Desse modo, o artigo aponta para a necessidade de se refletir não apenas sobre a relevância da cultura, mas principalmente acerca de como se dá sua abordagem epistemológica enquanto alteridade do Estado de Natureza hobbesiano.
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